Debate

Fundadora do Nubank diz que é difícil contratar negro e que não quer ‘nivelar por baixo’

por: Karol Gomes

A participação de Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, no programa Roda Viva na última segunda-feira (19), tem repercutido negativamente nas redes sociais. Isso porque a bancária afirmou que tem “dificuldade de encontrar candidatos negros adequados para as exigências das vagas na empresa”. 

Ela disse ainda que investe em programas de formação gratuitos, mas que não pode “nivelar por baixo”, sugerindo que não há profissionais negros aptos pra as vagas da sua empresa. 

– Nubank anuncia fundo de R$ 20 mi para pagar iFood e consulta de clientes

Na entrevista, Junqueira admite que o Nubank possui um problema de representatividade racial, mas afirma que sua equipe trabalha para contornar a situação. “Já faz algum tempo que a gente procura para várias posições, inclusive uma vice-presidente de marketing para trabalhar comigo. Estou há bastante tempo procurando e é difícil. Recrutar Nubank sempre foi difícil”, afirma.

– Forbes tem 1ª capa com gestante brasileira, mas realidade de grávidas no mercado é difícil

A jornalista Angelica Mari, da Forbes Brasil, então questiona se esse “alto grau de exigência” não pode ser uma barreira para minorias. Ao que a executiva então respondeu: “Não dá para também nivelarmos por baixo. Por isso que queremos fazer investimento em formação. Criamos um programa gratuito, que chama diversidados, que vamos ensinar ciência de dados para pessoas que querem entrar nisso, e nós vamos capacitar essas pessoas”, disse.

Após a repercussão negativa de sua fala no programa, Junqueira publicou um vídeo no Linkedin pedindo desculpas por ter dito que contratar profissionais negros é difícil. 

– Magazine Luiza: reação após vaga exclusiva para negros prova que decisão foi acertada

“Queria pedir desculpas, acho que não me expressei da melhor maneira. É super importante a gente ter uma comunicação clara. Queria agradecer todo o feedback que está vindo, a repercussão que isso está tendo porque todo mundo tem o que aprender”, afirmou.

Publicidade

Foto: Reprodução / Youtube


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Ônibus de empresa que matou 41 em acidente rodava ilegalmente desde 2019, diz Artesp