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Fuzil apontado na cara de repórter da CNN expõe racismo endêmico da sociedade brasileira

por: Yuri Ferreira


O repórter Jairo Nascimento, da CNN Brasil, teve um fuzil apontado em sua cara pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Jairo é negro e estava em serviço para sua empresa quando dirigia o carro da reportagem junto de seu cinegrafista, quando policiais ligaram a sirene e ordenaram que o jornalista saísse do carro apontando um fuzil em direção ao homem.

O repórter explicou que andava com as janelas abertas e em velocidade adequada, o que indica que só existiria uma causa para que a polícia parasse o carro: o fato de ele e seus colegas de trabalho serem negros. O jornalista utilizou a história para mostrar como o racismo endêmico funciona no Brasil.

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Jairo Nascimento relatou dois casos de racismo durante o exercício de seu trabalho como repórter para a CNN

Nascimento tem passagem por SBT, Globo e Record e trabalha na emissora de notícias há 9 meses, praticamente desde a fundação da CNN no Brasil. Foi somente quando o microfone da televisão foi visto pelos policiais que os fardados abaixaram as armas.

“Logo veio uma viatura, mandou que a gente parasse, com a sirene ligada e tudo mais. Quando descemos do carro, os policiais nos apontavam um fuzil, inclusive bem na minha cara.  A abordagem só parou porque o cinegrafista desceu com a câmera e eu desci com o microfone. Naquele momento, o policial viu e mandou que encerrasse aquela situação”, contou o jornalista em uma postagem no Instagram.

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“Será que naquele momento houve alguma informação de roubo de carro do mesmo modelo, com a mesma cor e mesma placa? O carro estava em baixa velocidade, os vidros estavam abertos. Será que houve algum outro tipo de atitude suspeita a não ser a cor das três pessoas que estavam dentro do carro? E isso já a segunda vez que isso acontece, quando nós, os três pretos, saímos na mesma equipe. O nome disso é racismo estrutural. As pessoas não admitem o fato de três negros estarem dentro de um carro legal”, disse.

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Jairo ainda relatou sobre como foi confundido com manobrista por, antes de uma reportagem, aguardar alguns companheiros de equipe. Vestindo terno, como aparece na TV, foi indagado por um homem se ele seria o manobrista.

“O problema é ser manobrista? Obviamente que não, é um trabalho honesto, mas será que as pessoas negras só podem fazer esse tipo de trabalho? Será que elas não podem estar em outra situação, um dia ter cargo de chefia, de análise, qualquer outra situação, ou apenas devem ser prestadores de serviço em todos os ambientes?”, questionou.

Confira o relato de Jairo Nascimento, publicado no Instagram:

 


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Fotos: Reprodução/Instagram


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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