Debate

Gravações do caso Robinho vazam e confirmam ausência de consentimento

16 • 10 • 2020 às 13:30 Karol Gomes
Karol Gomes   Redatora Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


Interceptações telefônicas usadas pela justiça italiana para condenar o jogador Robinho e um amigo, Ricardo Falco, por violência sexual de grupo chegaram à imprensa e confirmam: a vítima não estava em capacidades de consentir.  

As gravações foram realizadas durante a investigação e foram cruciais para o veredito. A decisão do Tribunal de Milão, de novembro de 2017, ainda não é definitiva e foi contestada pelas defesas de Robinho e de Ricardo Falco, o outro acusado brasileiro no crime. Os advogados dos dois apresentaram recurso.

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Conversas entre Robinho e Falco foram transcritas na sentença. Uma das mais decisivas para a condenação em primeira instância indicou ao tribunal que os envolvidos tinham consciência da condição da vítima. 

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A conversa aconteceu no carro de Robinho e em certo momento o jogador demonstra preocupação com a possibilidade de a vítima prestar depoimento. No diálogo, Falco aparentemente se contradiz sobre o que disse a justiça a respeito da condição da vítima.

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“Não acredito. Naquele dia ela não conseguia fazer nada, nem mesmo ficar em pé, ela estava realmente fora de si”, disse Falco na gravação, seguido da voz de Robinho concordando.

Ao ser interrogado, em abril de 2014, Robinho negou a acusação. Ele admitiu que manteve relação sexual com a vítima – mas disse que foi uma relação consensual de sexo oral – e sem outros envolvidos. No caso de Ricardo Falco, a perícia realizada por determinação da Justiça identificou a presença de seu sêmen nas roupas da jovem.

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O caso aconteceu numa boate de Milão chamada Sio Café na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013. Além de Robinho e Falco, outros quatro brasileiros teriam participado do ato classificado pela Procuradoria de Milão como violência sexual. Como esses quatro deixaram a Itália no decorrer da investigação, eles estão sendo processados num procedimento à parte, disse ao ge o advogado Jacopo Gnocchi, que representa a vítima.

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Robinho e Falco foram condenados com base no artigo “609 bis” do código penal italiano, que fala da participação de duas ou mais pessoas reunidas para ato de violência sexual – forçando alguém a manter relações sexuais por sua condição de inferioridade “física ou psíquica”. A Corte de Apelo de Milão vai iniciar a análise do processo, em segunda instância, no dia 10 de dezembro.

Quando a denúncia era apenas uma possibilidade, uma gravação de Robinho mostrou desdém com relação à vítima. A transição indica que a fala é do primeiro mês de monitoramento e mostrou o músico Jairo Chagas, que tocou naquela noite na boate, avisando a Robinho sobre a investigação. 

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O jogador, segundo a transcrição, respondeu: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”

Na época do ocorrido, Robinho jogava para o Milan da Itália. Nesta semana, o Santos Futebol Clube, que lançou o jogador, anunciou o retorno dele para o elenco do time principal, algo que tem causado críticas da imprensa, de torcedores e, principalmente, de patrocinadores. A Orthopride, empresa de ortodontia, foi a primeira a romper o contrato com o clube santista.

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