Debate

Jornalista da Globo relata abuso em ônibus em livro sobre cultura do estupro

por: Karol Gomes


Ana Paula Araújo, 48, perdeu a conta das vezes em que foi apalpada em locais lotados. Numa delas, tinha 18 anos e estava saindo da faculdade, em Niterói, região metropolitana do Rio, rumo à casa da tia, na Vila da Penha (zona norte da capital carioca), quando acordou no ônibus com a mão de um passageiro em sua coxa. E o rosto do homem quase colado ao seu. Sua reação foi xingá-lo e mandá-lo viajar em pé.

Hoje ela é jornalista e apresentadora do programa “Bom dia, Brasil”. Em 2010, se destacou durante a cobertura da ocupação do Complexo do Alemão, quando ficou por oito horas ininterruptas no ar. O feito rendeu a ela e à equipe de jornalismo da Globo o prêmio Emmy Internacional.

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Em uma nova etapa de sua carreira, Ana Paula descreveu o assédio sofrido no ônibus e outros ocorridos no livro “Abuso – A Cultura do Estupro no Brasil” (Globo Livros), que acaba de lançar. 

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“Contei esse episódio porque é bem trivial na vida de todas as mulheres que usam o transporte público ou por aplicativo”, disse em entrevista ao Universa, da UOL.  

A primeira obra da jornalista é resultado de quatro anos de pesquisa sobre o tema e mais de cem entrevistas com vítimas, familiares, criminosos, psiquiatras e diversos especialistas no assunto.

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No decorrer das 320 páginas da obra se lê histórias desoladoras, como o caso do estupro coletivo praticado por três adolescentes (dois de 16 e um de 13 anos) contra uma jovem grávida, de apenas 15 anos, e que ainda assistiu ao pai de seu filho ser degolado, em Uruçuí, no Piauí, há três anos. A jornalista ficou de frente com os criminosos.
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Diante de tantos relatos pesados, que a fizeram voltar às sessões de terapia e não deixar a própria filha, de 14 anos, ler a obra, Ana Paula diz que chegou a uma conclusão urgente. “Os homens têm que ser educados a respeitar as mulheres, a aprender o que é consentimento”, afirma. 

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Foto: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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