Futuro

NASA pousa uma nave espacial num asteroide pela primeira vez na história

por: Vitor Paiva

Cada passo dado no espaço sideral é um desafio grandioso, e por isso uma nova conquista é necessariamente um feito histórico – e é isso que a NASA, agência espacial estadunidense, celebrou nessa semana, ao pousar pela primeira vez uma nave em um asteroide. O feito se deu na última terça-feira, dia 20 de outubro, quando a nave OSIRIS-Rex pousou brevemente no asteroide Bennu, localizado a cerca de 322 milhões de quilômetros da Terra. Apesar de ter sido um pouso breve, foi tempo suficiente para o propósito de sua missão: recolher poeira, pequenos seixos e pedras com seu braço mecânico para que tais amostras sejam analisadas por cientistas.

O momento em que a nave “tocou” o asteroide © NASA

A conquista pode parecer simples, mas seu sentido é tão grandioso quanto a própria criação do universo: por Bennu se tratar de um asteroide ancestral, formado há bilhões de anos, a ideia é que o estudo das amostras do asteroide possam levar os cientistas de volta ao período da formação do nosso planeta, a fim de compreendermos um pouco mais sobre a constituição da Terra e do Sistema Solar. A missão levou 10 anos para ser realizada, e contou com vasto avanço tecnológico para que fosse possível. A nave simplesmente tocou a superfície, coletou o material com seu braço mecânico, e seguiu viagem.

Representação da nave pousando no asteroide © NASA

“A manobra de hoje foi histórica”, disse Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciência Planetária do quartel-general da NASA em Washington. “O fato da gente ter tocado a superfície de Bennu com segurança, além dos outros tantos feitos já alcançados nessa missão, é uma confirmação do espírito vivo da exploração que continua a revelar os segredos do Sistema Solar”. As primeiras informações enviadas pela OSIRIS-Rex confirmam que a viagem foi um sucesso, e o recolhimento do material aconteceu conforme o planejado – são necessárias 60 gramas de coleta para que a missão seja considerada bem-sucedida. Caso a coleta não tenha acontecido corretamente, outra tentativa de pouso será realizada em março de 2021 – mas, seja como for, a missão já é histórica.

“Esse foi um feito incrível, e hoje avançamos na ciência e na engenharia e em nossas perspectivas para missões futuras a fim de estudar a misteriosa e ancestral história do nosso Sistema Solar”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missões Científicas da NASA em Washington. “Um pedaço de uma pedra primordial que testemunhou a história completa de nosso Sistema Solar irá ser trazido pra casa para gerações de descobertas científicas, e não podemos esperar pra ver o que virá em seguida”. Se o êxito da missão for confirmado, como se espera, a nave OSIRIS-Rex irá retornar à Terra em 2023, para que a pesquisa – e o futuro – enfim comece.

A OSIRIS-Rex ainda em laboratório © NASA

 

 

 

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© fotos: NASA


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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