Empreendedorismo

O que faz uma aceleradora de negócios canábicos no Brasil e quais startups ela está apoiando

por: Vitor Paiva

Desde que o uso medicinal da maconha passou a ser permitido e regulamentado no Brasil, no final do passado, que um imenso mercado se abriu – e, junto com ele, possibilidades de verdadeiras revoluções médicas no país, mas também uma porção de novos e complexos desafios. É para enfrentar tal cenário que a The Green Hub, aceleradora e consultoria especializada no mercado da cannabis, decidiu investir na aceleração de três start-ups brasileiras: o Centro de Excelência Canabinoide (CEC), a Cannapag Bank e Jamba Estúdios. Cada uma em sua especialidade, as três novas empresas abarcam frentes importantes desse mercado por aqui – começando pelo uso médico da planta e seus derivados propriamente, passando pela produção de conteúdo sobre o tema e chegando até a sistemas de pagamento diferenciados para os serviços ligados à cannabis medicinal no Brasil.

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Dentre as selecionadas pela aceleradora, o Centro de Excelência Canabinoide é a que trabalha diretamente com a formação de médicos que queiram incluir terapias utilizando a medicina canabinoide, assim como na conscientização da sociedade e educação geral sobre o tema, e também no fomento de pesquisas científicas. . “Precisamos implementar ações em diversos pontos de contato. Precisamos falar com médicos e membros da comunidade científica, bem como pacientes e pessoas leigas em relação ao uso medicinal da cannabis”, explica Marcelo Sarro, CEO do CEC. “Desenvolver um modelo completo e abrangente traz essa premissa desafiadora e torna ainda mais importante contar com o respaldo de especialistas no setor para orientar a evolução dos negócios”.

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Em diversos aspectos, portanto, o trabalho da Jamba Estúdios complemente a necessidade sugerida acima – já que a empresa fica na criatividade, unida à arte e à informação para a produção de conteúdos que ajudem a construir novos conceitos contra o velho preconceito que ainda há sobre a cannabis. Para esclarecer as tantas possibilidades de cura a partir do uso medicinal da maconha e alterar de fato o imaginário coletivo sobre o tema, a aceleração para a Jamba será fundamental. “Além de nos conectar com investidores e grandes players do mercado, a The Green Hub nos trouxe insights e dados desde a incubação à modelagem financeira. Por meio da arte e criação cultural podemos derrubar tabus e criar o imaginário para uma nova cannabis”, afirma Luiz Mandara, diretor executivo da Jamba Estúdios.

E a Cannapag Bank pode atuar em todo o mercado como a primeira fintech brasileira direcionada para a cannabis medicinal. O serviço vai além, porém, de somente oferecer um meio de pagamento: trata-se de um verdadeiro e completo sistema especializado, modelado para contornar os grandes índices de rejeição e as altas taxas para transações e transferências que os serviços financeiros tradicionais impunham sobre associações de pacientes, estabelecimentos de saúde e os próprios consumidores. “Passar por essa etapa ajuda muito na estruturação, proporcionando ganho de solidez e maior respaldo, tanto para sócios quanto investidores. O mercado também é beneficiado, com empresas mais maduras e eficientes”, afirma Murilo Gouvêa, CEO da Cannapag Bank.

Marcelo De Vita Grecco, diretor de novos negócios da The Green Hub © divulgação

Para Marcelo De Vita Grecco, diretor de novos negócios da The Green Hub, o momento é ainda de solidificar o mercado e vencer os preconceitos, contornando possíveis equívocos e fomentando a importância, a seriedade e a responsabilidade sanitária que tal mercado possui – para, só então, pensar enfim no imenso lucro potencial que a maconha medicinal pode oferecer. “Estamos vendo o nascimento de um mercado incrível, com poder para transformar a vida de milhões de pessoas, ajudando o País socialmente e economicamente. Porém, entrar nesse setor exige mais que uma grande ideia. Além de veia empreendedora e profissionalismo, é preciso ser ativista para trabalhar em prol do desenvolvimento do ambiente de negócios, da cadeia produtiva e do ecossistema em seu entorno”, afirma Greco.

E o compromisso da The Green Hub com tal desenvolvimento segue – e uma segunda chamada para inscrição de novas start-ups do ramo foi aberta. Empresas podem se increver através do site da aceleradora até o dia 13 de novembro.

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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