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Patrocinador rompe com Santos após contratação de Robinho: marcas não querem mais se associar ao machismo

por: Karol Gomes

A Orthopride, empresa de ortodontia, rompeu contrato de patrocínio com o Santos Futebol Clube. A decisão foi motivada pela contratação do atacante Robinho.

O jogador de 36 anos tem uma condenação de nove anos de prisão na Itália por “violência sexual em grupo”. A decisão é em primeira instância e o jogador e seus advogados recorrem. Logo, o camisa 7 está livre para atuar e tem até a terceira instância antes de uma sentença definitiva.

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Os patrocinadores do Peixe já haviam entrado em contato e iniciado uma conversa com o clube sobre o acerto com Robinho, que foi bastante questionado por causa da condenação. Até ontem, o clube não havia sofrido nenhuma baixa de quebra de contrato, mas a Orthopride se pronunciou nesta quinta-feira (15).

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O patrocinador, que anunciava dentro dos números da camisa do Peixe desde maio de 2018, declarou: “Nós temos enorme respeito pela história do Santos. Mas neste momento decidimos pelo rompimento do contrato de patrocínio. Nosso público é majoritariamente feminino e, em respeito às mulheres que consomem nossos produtos, tivemos que tomar essa decisão. Queremos deixar claro que não fomos informados previamente sobre a contratação do Robinho, fomos pegos de surpresa pela imprensa no fim de semana”.

Em comunicado oficial divulgado hoje, o Santos disse ser “contra qualquer tipo de violência, especialmente contra a mulher” e citou o “investimento no futebol feminino e engajamento em diversas causas”. A nota diz que ainda que o Santos “não pode entrar no mérito da acusação” em relação ao processo contra Robinho, “pois corre em segredo de Justiça na Itália”. O crime ocorreu quando o jogador atuava pelo Milan. 

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Além do patrocinador, treze coletivos de torcedoras também demonstraram repúdio pela decisão do Santos e enviaram ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) uma nota de infração disciplinar, requerendo o oferecimento de denúncia e a consequente anulação do registro do atacante Robinho. O jogador foi anunciado pelo Santos no domingo (11) e registrado na segunda-feira (12), em um plantão extraoficial.

Leia a nota completa:

“O Santos FC, em seus 108 anos de história, sempre se caracterizou por ser uma instituição inclusiva e socialmente responsável. Referência no combate ao racismo, contra qualquer tipo de violência, especialmente contra a mulher, referência no investimento no futebol feminino e engajamento em diversas causas. Estes são pilares e valores que formam a identidade do Clube brasileiro mais conhecido no Mundo e motivo de raro orgulho por todas as suas contribuições para o desporto nacional. A agremiação também reconhecida pela excelência na formação de atletas, relação próxima e respeitosa por todos aqueles que em campo ajudaram a construir nossa história.

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Com relação ao processo do atleta Robson de Souza, o Clube não pode entrar no mérito da acusação, pois o processo corre em segredo de Justiça na Itália e sobretudo o Santos FC orgulha-se de, em sua história, sempre respeitar as garantias fundamentais do ser humano, dentre as quais, a presunção da inocência e o respeito ao devido processo legal.

Ressalta-se ainda que não há condenação definitiva e o atleta responde em liberdade e não será o Santos FC que lhe dará uma sentença antecipada, prejulgando e o impedindo de exercer sua profissão.

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Como Clube formador, onde o atleta viveu seus melhores momentos, em que teve diversas conquistas, não seria a nossa coletividade a lhe dar as costas e decretar juízo final de valor em um processo com recursos em andamento.

Não há mudança no posicionamento do Clube em relação ao combate à violência contra a mulher ou outras campanhas que sempre participou neste sentido. São valores irrenunciáveis e que fazem parte da história do legado Alvinegro.

Infelizmente vivemos na era dos cancelamentos, da cultura dos tribunais da internet e dos julgamentos tão precipitados quanto definitivos, porém há a certeza que o torcedor do Santos FC entenderá que compete exclusivamente à Justiça realizar o julgamento”.

 

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Foto: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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