Debate

Pela primeira vez perfil médio do candidato nas Eleições brasileiras é negro

por: Karol Gomes

Esta é a primeira vez desde 2014, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a coletar dados de raça, em que o candidato médio a eleições no Brasil é negro. De acordo com dados analisados pelo G1 e coletado de candidaturas divulgados pelo TSE, a cor da pele predominante em outros anos era branca. 

Ainda segundo o levantamento, no total, mais de 548 mil candidatos registrados para participar das eleições deste ano. Os números do TSE ainda podem ter alterações, com a atualização dos dados pelo órgão ou até com indeferimento e renúncia de candidatos.

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De todas as candidaturas registradas, 49,9% são de pessoas que se declararam pardas ou pretas. Juntos, pardos e pretos formam os negros, segundo classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Também segundo o IBGE, o Brasil é um país cuja maioria da população é negra. Logo, pela primeira vez o perfil médio do candidato corresponde ao do eleitorado. 

Já os brancos representam 47,8% do total de candidatos. Além disso, 0,4% se declaram indígenas e outros 0,4%, amarelos. Não há informação de raça de 1,6% dos registros. A proporção de candidatos negros nas eleições deste ano é a maior já registrada pelo TSE. 

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Quanto às outras características, não houve muita diferença em relação ao perfil médio dos candidatos das últimas eleições municipais, em 2016, principalmente em relação a gênero: 67% são homens e 33% são mulheres. O percentual feminino, inclusive, é muito próximo do mínimo estabelecido em lei pela cota de candidatas mulheres que deve ser cumprida pelos partidos, de 30%. Também vale lembrar que, de acordo com o IBGE, as mulheres correspondem a mais da metade dos brasileiros (52%).

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Os candidatos são predominantemente casados (51%), com ensino médio completo (38%) e com uma média de 46 anos. Além disso, a ocupação mais comum é a de agricultor. Como há muitas ocupações registradas, porém, os dados são mais pulverizados neste caso. Assim, mesmo sendo a mais comum, a profissão de agricultor foi declarada por apenas 6,8% dos candidatos.

 

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Foto: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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