Debate

Racismo na dermatologia: mãe indígena tem que pesquisar sozinha inflamação na pele do filho

por: Redação Hypeness

Precisamos urgentemente decolonizar a medicina!”. Esse é pedido desesperado de uma mãe indígena que não encontrou orientações adequadas quando seu filho apresentou um problema na pele. Jé Hãmãgãy compartilhou um relato no Twitter sobre a experiência de ter que buscar tratamento médico para o filho e não encontrar ninguém preparado para entender o que se passava com a pele marrom de seu bebê.

Estudante insatisfeito com apagamento racial cria guia de doenças associadas com pele negra

Jé conta que seu filho começou a sentir os impactos das queimadas. Com o calor e a fumaça, o neném passou a demonstrar irritação e a ter momentos frequentes de desconforto. Até que pequenas bolinhas começaram a surgir na criança. A mãe imaginou que pudesse ser apenas uma reação ao calor e começou a deixar o menino só de fralda e em espaços mais arejados. O garoto não apresentou melhora e ela começou a pesquisar na internet o que poderia ser aquilo. 

As fotos que vi desse tipo de alergia não tinham nada a ver com o que está na pele dele, são muito mais vermelhas e se destacam, aí bateu o desespero”, escreveu. Ela conta que, com a pandemia, buscar atendimento médico está muito difícil e, enquanto pesquisava casos que parecessem semelhantes ao do seu filho, percebeu que só encontrava fotos de bebês brancos.  

Modelo noiva de enfermeiro indígena fala sobre apropriação cultural e comentários racistas

Foi muito difícil, mas achei foto de bebês de pele mais escura e aí sim as referências eram parecidas”, explica. Jé enviou as foto para uma enfermeira e as duas chegaram à conclusão que o problema do bebê, além da alergia ao calor, era também a chamada mancha de jenipapo (ou “mancha mongólica”), mais frequente em crianças de pele escura. 

Imagino os casos que se complicam por despreparo de médicos e dificuldade da própria pessoa em compreender que está com alguma coisa, já que as imagens de referência são praticamente todas de pessoas caucasianas, salvo pelos casos de condições predominantes em pessoas não brancas como a questão da mancha de jenipapo. Precisamos urgentemente decolonizar a medicina”, desabafou.

Black Power: Alunos negros de medicina tiram foto em frente de antiga fazenda de escravizados

O debate em torno da literatura médica sobre problemas de pele em pessoas não brancas tem ganhado cada vez mais espaços. Os exemplos ensinados na academia dificilmente contemplam pessoas pretas, indígenas ou com outros tons de pele que não os caucasianos. Recentemente, um estudante de medicina negro virou notícia ao publicar um livro que compila os sintomas clínicos nas peles pretas e marrons.

 

Publicidade

Fotos: Twitter/@indiadeiphone


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Bolsonaro nega anúncio de vacina do Ministério da Saúde: ‘Não compraremos vacina da China’