Ciência

Sintomas de Covid-19 duram meses para alguns pacientes; entenda porquê

por: Vitor Paiva

Passados mais de 10 meses dos primeiros casos notados do SARS-CoV-2 ou o novo Coronavírus – identificado pela primeira vez em seres humanos em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na China – e mais de 7 meses da chegada do vírus no Brasil, a pandemia persiste, ainda ameaçando e tirando vidas por todo o país. O avanço de tal quadro, no entanto, ao mesmo tempo que nos fez aprender um tanto sobre a doença, a cada dia nos traz novas e surpreendentes informações sobre – algumas boas notícias, outras nem tão boas assim. E se para muitos a Covid-19 é uma doença leve, para outros os efeitos são debilitantes e perigosos – e tais consequências podem ser de longo prazo após a infecção: é a chamada Covid persistente.

Procedimento de exame PCR para detecção da Covid-19

Não há ainda nomenclaturas científicas, determinações específicas ou mesmo listas de sintomas que definam exatamente o que seria a Covid persistente – o que se sabe é que em alguns casos os sintomas da doença permanecem por muito mais tempo do que as costumeiras duas semanas. Entre falta de ar, tosses agudas, dores musculares e nas articulações, perda de olfato e paladar, entre outros efeitos, uma fadiga intensa e paralisante costuma ser efeito recorrente entre os casos. Alguns registros mais agudos apontam para problemas na audição e visão e até danos aos pulmões, rins, intestinos e corações – mas não há ainda consenso científico sobre as consequências.

Sabe-se, porém, que a Covid persistente não acomete somente pacientes que se recuperam de casos graves da doença: muitas vezes pessoas que enfrentaram uma infecção branda também podem apresentar problemas de saúde duradouros. Segundo estudo realizado com 143 pessoas em um grande hospital de Roma e publicado no Journal of the American Medical Association, 87% dos pacientes estudados, passados dois meses da internação, ainda apresentavam ao menos um sintoma da Covid-19, e em mas de 50% dos casos a fadiga intensa persistia. Outro estudo, realizado em Dublin, concluiu que metade dos casos estudados apresentavam fadiga 10 semanas após a infecção, e um terço dos pacientes não pôde voltar ao trabalho após o mesmo período.

As explicação ainda são vagas, mas especula-se que o vírus pode ter sido eliminado em boa parte, mas não em todo o corpo. Outra hipótese sugere um efeito da doença sobre o sistema imunológico, que pode provocar problemas de saúde – e até mesmo alterações no metabolismo do paciente podem explicar o efeito duradouro. A boa notícia é que o número de casos de Covid Persistente tende a diminuir com o tempo, o que sugere que possivelmente as pessoas se recuperam ao longo dos meses – a doença, no entanto, é nova, e há ainda muita pesquisa a ser feita para determinar seu real comportamento. Por isso é tão importante seguir ao máximo as medidas de isolamento e segurança, a fim de amenizar o impacto da Covid-19 em nós e sobre a comunidade – não somente agora, mas também para o futuro.

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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