Futuro

A histórica eleição da neta de Carlos Marighella como vereadora em Salvador

por: Vitor Paiva

Em Salvador, um dos mais emblemáticos sobrenomes da história da luta contra a ditadura militar brasileira voltou a fazer parte do cenário político da cidade: aos 44 anos, Maria Marighella foi eleita vereadora na capital baiana. Além de atriz, Maria é também neta do político Carlos Marighella, um dos mais emblemáticos e controversos guerrilheiros contra o regime nos anos 1960 no Brasil. Eleita com 4.837 votos, Maria Marighella assumiu uma das 43 cadeiras da Câmara Municipal de Salvador pelo Partido dos Trabalhadores.

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Feminismo e pelo fim da violência contra a mulher 

Essa foi a primeira eleição em que Maria concorreu, mas a neta de Marighella lembra que inevitavelmente a política fez parte de sua vida desde o berço – a novidade, no caso, é sua participação no aspecto partidário e institucional da política. As bandeiras levantadas por Maria durante a campanha foram de defesa das políticas públicas, principalmente voltadas para causas feministas, como a violência contra a mulher, os direitos sexuais e reprodutivos, e as necessidades e direitos das mães em Salvador. A luta contra o que chama de “sucateamento da cultura” é também central para seu mandato.

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Racismo na cidade mais negra fora da África 

Outra pauta importante para Maria, que se destaca em especial no cenário da cidade de maior população negra no mundo fora da África, é a questão do racismo estrutural. “Salvador tem uma dívida com sua história e não consegue enfrentar o debate de justiça social. O racismo estrutural está no centro da desigualdade do país, Salvador é uma cidade desigual, com injustiças muito severas”, disse Maria, em entrevista recente à rádio A Tarde FM.

A eleição de Maria acontece no momento em que o filme “Marighella”, dirigido por Wagner Moura contando a história de seu avô, finalmente ganha uma nova da de estreia. Depois de enfrentar resistências e protestos por levar às telas a vida de um dos mais influentes e polêmicos líderes guerrilheiros da resistência contra os regimes militares autoritários na América Latina – e de ter de alterar seu cronograma por conta da pandemia – foi anunciado um novo trailer completo da obra, assim como a data de 14 de abril de 2021 para sua estreia.

Estrelado por Seu Jorge, o filme é baseado na biografia de mesmo nome e escrita por Mario Magalhães, e relata os últimos anos da vida de Carlos Marighella, na clandestinidade e na luta armada. Visto como herói por muitos, como terrorista por outros, Marighella foi eleito deputado federal pelo PCB em 1946, anos antes de aderir à luta armada e se tornar uma de suas principais lideranças. Em novembro de 1969, em uma emboscada realizada por agentes do DOPS, Mariguella foi assassinado em São Paulo.

© Arquivo Nacional

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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