Ciência

América do Sul teve mulheres caçadoras há mais de 9 mil anos, aponta estudo

por: Redação Hypeness

A descoberta na região de Wilamaya Patjxa, no alto dos Andes, no Peru, parecia óbvia: uma ossada humana de nove mil anos enterrada ao lado de um kit de ferramentas com lâminas esculpidas em pedra só poderia ser de um homem. Até recentemente, a comunidade científica entendia que, naquela época, a divisão do trabalho era feita de forma sexista: homens caçavam, não mulheres. 

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Pesquisadores, arqueólogos e cientistas escavam na região de Wilamaya Patjxa, no alto dos Andes, no Peru.

Para a surpresa de todos, exames clínicos feitos na arcada dentária do esqueleto identificaram que aquele corpo era sim de uma mulher. A novidade foi descoberta graças a uma técnica forense que analisa esmalte dentário. Ele possui uma proteína que se difere entre os sexos. As novidades foram relatados em um estudo publicado na revista científica “Science”.

Todo mundo estava falando sobre como este era um grande chefe, um grande homem”, contou o arqueólogo Randy Haas, da Universidade da Califórnia (UC), em Davis, em entrevista à “Science”. Até que o pesquisador responsável pela avaliação da ossada percebeu que os ossos eram leves e finos demais para pertencerem a um homem. “Acho que sua caçadora é uma mulher”, disse Jim Watson, da Universidade do Arizona, a Randy. 

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A ossada encontrada e as ferramentas identificadas pelos cientistas.

Com a revelação, os cientistas resgataram antigas descobertas para procurar se havia outras mulheres enterradas nas mesmas condições. E, sim, havia: outras dez ossadas foram identificadas ao lado de ferramentas de caça. 

Ao longo da História, a ideia do “homem caçador” prevaleceu, associando a eles o papel de prover alimentos e a elas o de reunir grupos. Apesar de alguns cientistas refutarem essa argumentação, ela se manteve ao longo das décadas reforçada ainda por estudos que indicavam essa relação entre gênero e trabalho nas sociedades coletoras da Tanzânia e no sul da África. 

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A descoberta ainda é vista com desconfiava por alguns pesquisadores, como Robert Kelly, da Universidade de Wyoming. Ele argumenta que nada garante que os artefatos enterrados ao lado da pessoa tenham sido necessariamente usados por ela em vida. 

A arqueóloga Bonnie Pitblado, da Universidade de Oklahoma, acredita que a mensagem da nova descoberta é que as mulheres sempre puderam caçar e, de fato, caçaram. Mesmo sem ter participado do estudo, ela considera que a localização do corpo dessa mulher indica que é provavelmente foi uma caçadora. “Essas mulheres viviam no alto dos Andes, a 13.000 pés em tempo integral”, diz. “Se você pode fazer isso, certamente você pode derrubar um cervo.

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Destaques: Matthew Verdolivo/UC Davis // Fotos: Randall Davis/University of California


Redação Hypeness
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