Arte

Artista inglês transforma poluição das minas de carvão em em tinta para pintar seus quadros

por: Vitor Paiva

Se no passado o grande Franz Krajcberg, pintor e escultor polonês-brasileiro, denunciou as queimadas por todo o Brasil utilizando materiais da destruição, como madeiras carbonizadas de queimadas ilegais, em suas obras, hoje o artista e ambientalista inglês John Sabraw segue os passos de Krajcberg, explorando o que chama de ‘ecoconsciência’ para criar sua arte.

No lugar do carvão das queimadas, porém, os pigmentos que Sabraw utiliza em sua pintura são derivados de substâncias tóxicas e poluentes geradas em minas de carvão desativadas – Sabraw, portanto, essencialmente pinta com a poluição.

John Sabraw com o engenheiro Guy Riefler ao fundo

O trabalho de desenvolvimento dos pigmentos a partir desses materiais poluentes é feito por Sabraw em parceria com o engenheiro Guy Riefler, da Universidade de Ohio.

Metais pesados depositados na água a partir das minas, como o minério de ferro, formam uma espécie de lama colorida e brilhante a partir de reações químicas que é especialmente tóxica ao meio-ambiente, e a parceria entre o engenheiro e o artista conseguiu retirar essa ‘lama’ da água e extrair pigmentos de tais metais.

Controlando o nível dos metais na água antes deles subirem à superfície e entrarem em contato com o ar permite que Riefler desenvolva cores variadas que, após secas, são utilizadas como base para as pinturas a óleo de Sabraw.

Acima, Sabraw trabalhando nas águas; abaixo, a tinta sendo fabricada

Além dos pigmentos, o compromisso ecológico de Sabraw no desenvolvimento de sua arte se estende também à superfície – pintando sobre tecidos reciclados, madeiras reaproveitadas e outros materiais semelhantes.

Se o processo de retirada de minério de ferro, por exemplo, e realizado pela dupla, junto de voluntários, ainda em pequena escala, a ideia é desenvolver um equipamento capaz de realizar tal trabalho em escala industrial – capaz de realmente limpar rios inteiros, e ainda transformar a sujeira das minas de carvão em arte.

“Vivemos uma era crítica”, disse Sabraw, para o site Inhabitat.”Não resta mais tempo para decidirmos que queremos trabalhar para criar de forma consciente e contundente um futuro sustentável para os seres humanos nesse planeta”.

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


X
Próxima notícia Hypeness:
Artista recria personagens de animes do Studio Ghibli interagindo com a natureza