Arte

Cabíria Festival reúne filmes feitos por, para e sobre mulheres em sua segunda edição

por: Vitor Paiva

A ideia de promover uma maior representatividade em espaços públicos, artísticos e midiáticos visa não somente corrigir desigualdades e injustiças entre gêneros ou raças, por exemplo, mas também ampliar as próprias narrativas, pontos de vista, estilos e estéticas que marcam as obras de arte, filmes e até festivais de cinema.

É nesse exato ponto que entra em cena o Cabíria Festival – Mulheres e Audiovisual’. Dedicado a promover e apresentar a obra de mulheres e pessoas de identidades de gênero diversas, o festival abre espaço com força e qualidade para filmes que representam justamente uma maior diversidade – nas telas, à frente e atrás das câmeras.

 Trata-se, portanto, da reunião de filmes feitos por, com e para mulheres, em um festival que se encaminha para sua segunda edição. E que maneira melhor de promover tal festa do cinema do que no exato lugar onde os filmes estão? O Telecine se tornou sinônimo de cinema por aqui, como a casa da sétima arte no Brasil.

É por isso que a turma do ‘Cabíria’ se reuniu ao Telecine: a fim de celebrar a segunda edição do festival que vem chegando, e criar uma cinelist especial, uma lista de filmes repleta de obras sobre igualdade de gênero, diversidade, pelas mãos, olhos e corações de mulheres e pessoas de gêneros diversos.

A nobreza e importância do tema complementam, portanto, a própria excelência dos filmes que compõem essa cinelist, entre documentários e obras de ficção, filmes estrangeiros e nacionais – seguindo a proposição de inclusão e marcando a força e a importância da presença feminina no cinema.

São 15 filmes na lista Cabíria Festival’, como ‘Harriet’, dirigido por Kasi Lemmons e estrelado por Cynthia Erivo, trazendo duas indicações ao ‘Oscar’ para contar a história real de Harriet Tubman, uma verdadeira heroína que  no século XIX conseguiu fugir da condição de escravizada nos EUA para se tornar uma ativista pelos direitos da população negra em pleno contexto da Guerra Civil.

A atriz Cynthia Erivo, indicada ao Oscar de Melhor Atriz, em cena do filme “Harriet”

Também está na cinelist o documentário ‘Varda por Agnès’, que revela com impacto e delicadeza a carreira e o processo criativo de Agnés Varda, uma das mais importantes diretoras da história do cinema, em seu último filme antes de falecer, em 2019. Da mesma forma, o longa francêsFilhas do Sol’ leva uma indicação à ‘Palma de Ouro’ em ‘Cannes’ para a lista ao contar a história do batalhão composto somente por mulheres curdas lutando no Iraque pela sobrevivência de seu povo.

A grande diretora belga Agnès Varda

 A pauta e a qualidade seguem tão em alta entre os filmes nacionais que ajudam a compor a playlist: ‘Indianara’ é doc dirigido por Aude Chevalier-Beaumel contando a história e o trabalho de luta da ativista Indianara Siqueira pelos direitos trans e LGBTQI+ contra o preconceito e no campo da política.

Já o filme ‘Praça Paris’ traz a diretora Lúcia Murat contando as desigualdades de classe e raça entre uma ascensorista e uma terapeuta no contexto de uma universidade – e ‘Três Verões’ mergulha no contexto político atual pela lente da diferença de classes na direção de Sandra Kogut para contar a história de uma governanta vivida por Regina Casé que trabalha para uma família rica envolvida em esquemas de corrupção. 

E mais: a cinelist se completa com filmes como Olhos de Cabul’, A Despedida’, Retrato de Uma Jovem em Chamas’, Papicha’, Deslembro’, Sueño Florianópolis’, Rafiki’, Pendular’ e As Boas Maneiras’. Além dessa lista, o Telecine oferece mais de 2 mil filmes em sua plataforma de streaming, com um convite inegável: os primeiros 30 dias de acesso são gratuitos.

Regina Casé em “Três Verões”, de Sandra Kogut

A segunda edição do Cabíria Festival’ acontecerá entre os dias 18 e 29 de novembro e, em respeito às necessidades e restrições sanitárias por conta da pandemia, acontecerá online e gratuito. O tema parece encapsular o espírito que acompanha as questões de gênero, identidade sexual e sexualidade no país e no mundo em seu aspecto mais potente e vigoroso: “Imaginários possíveis, rupturas em processo”.

É sob essa proposta ética e estética que se dará esse encontro com cineastas do Brasil, Alemanha, Argentina, Costa Rica e França, para que se possa levar “reflexões, ampliação de redes e impulsionamento de talentos”. Serão 35 filmes e 22 microfilmes exibidos, além de uma série de eventos virtuais como debates, oficinas, aulas-mestre e painéis.

Cena do filme “Papicha”

 E se há algo a se colher do formato remoto que a pandemia impõe é a possibilidade de oferecer o festival, mesmo que em modo virtual, para todo o país. Os maiores detalhes sobre os filmes, a programação, os debates e encontros estão no site do festival – assim como as informações sobre como participar.

Vale lembrar que é preciso se inscrever nas atividades, que estão sujeitas à lotação. O Cabíria Festival acontecerá principalmente em 3 plataformas, pelo Youtube, Cardume e Videocamp, onde os filmes serão exibidos e as atividades serão transmitidas. 


A cinelist Cabíria Festival pode ser acessada no Telecine aqui.

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© fotos: divulgação/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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