Debate

Candidato a vereador baleado em transmissão ao vivo expõe violência eleitoral brasileira

por: Yuri Ferreira

Em um vídeo chocante, Ricardo Moura (PL-SP), candidato a vereador pela cidade de Guarulhos, segundo maior município do estado de São Paulo, tomou dois tiros. Ele fazia uma live em um evento de campanha e enquanto falava de suas propostas, um homem atira duas vezes no homem, grita “f*lho da p*ta” e sai. As imagens são absolutamente bizarras.

As balas alcançaram o ombro e as pernas do candidato, que foi submetido à cirurgia no Hospital Geral de Guarulhos e sobreviveu. Depois, foi a um hospital particular por ter passado mal e não se sabe o estado de saúde do candidato do Partido Liberal. A polícia investiga ocaso, mas não chegou a um suspeito por enquanto. No vídeo, não é possível ver o criminoso.

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Ricardo Moura tomou dois tiros no bairro do Taboão, em Guarulhos, e se soma às estatísticas de atentados violentos contra políticos

O chocante caso assusta pelo registro em vídeo, mas mostra uma realidade que é relativamente comum no Brasil. Desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, em 14 de março de 2018, a mídia passou a dar atenção para casos de violência política e eleitoral no país.

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Os dados são chocantes. Desde 2016, foram registrados pelo menos 125 casos de assassinatos e atentados contra políticos exercendo o mandato ou em campanha ou pré-campanha eleitoral. Na média, foram 27 casos de violência política por ano no Brasil.

A maior parte dos casos acontece em municípios pequenos. Um dos mais claros foi no dia 11 de oujtubro. O candidato Domingos Barbosa Cabral (DEM), de 57 anos, foi assassinado a tiros na noite no bairro do Cabuçu, em Nova Iguaçu. Pleiteando o cargo de vereador em Belford Roxo, ele foi o segundo político da Baixada Fluminense assassinado em um intervalo de 15 dias. A primeira vítima foi Mauro Miranda da Rocha (PTC), de 41 anos, candidato por Nova Iguaçu, também foi assassinado, em 1º de outubro.

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Até a data da publicação dessa matéria, foram pelo menos 30 atentados desse tipo no Brasil em 2020. Uma democracia saudável não pode conviver com a violência desse tipo. É necessário agir rápido e melhorar o aparato de investigação para se chegar aos resultados.

 

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Fotos: Reprodução/Facebook


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.


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