Sustentabilidade

Como a produção de dendê está destruindo uma das maiores florestas da Ásia

Redação Hypeness - 23/11/2020

A província de Papua, na Indonésia, abriga uma das mais densas florestas tropicais do planeta — e ela está sendo devastada para dar lugar a palmeiras que produzem óleo de palma, popularmente conhecido como azeite de dendê.

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Desmatamento tem sido provocado para dar lugar às plantações de palmeiras.

O óleo vegetal é produzido por meio da polpa encontrada nos dendezeiros, como essas árvores são chamadas no Brasil, e está presente em uma infinidade de produtos que vão desde o setor alimentício até o de cosméticos. 

A Indonésia é o maior exportador de óleo de palma do mundo. De acordo com dados de uma associação local, o comércio deste produto foi responsável por movimentar quase R$ 100 bilhões em 2019. A região de Papua, agora ameaçada, era um dos poucos lugares do país preservados pela indústria. Porém, grandes empresas do setor tem recebido aval governamental para atuar na área. 

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Entre elas, está a Korindo, que recebeu concessões para plantar no local. A companhia é o maior conglomerado dono de terras na Indonésia e a estimativa é que ela, sozinha, já tenha desmatado 60 mil hectares. A empresa nega que utilize de técnicas ilegais para preparar a terra, mas um relatório do Greenpeace em parceria com a Goldsmiths University, de Londres, mostram o contrário. 

Uma das técnicas usadas é aquela em que se utiliza do fogo para derrubar a vegetação nativa, que é proibida na Indonésia por conta do risco de incêndios e pela poluição do ar. A Korindo nega que faça isso, mas os dados do Greenpeace indicam que houve sim queimadas intencionais durante o desmatamento na concessão chamada PT Dongin Prabhawa. Eles mostram que uma das áreas cedidas à Korindo pelo Estado tiveram sucessivas queimadas provocadas pela ação do homem. 

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Samaneh Moafi é uma das pesquisadoras que trabalhou na investigação. Ela explica que a técnica utilizada para avaliar se os incêndios haviam sido provocados é bastante precisa. “Esta é uma técnica robusta que, com um alto nível de certeza, pode determinar se um incêndio é intencional ou não. Isso nos permite responsabilizar no tribunal as grandes corporações que vêm sistematicamente provocando incêndios há anos”, diz. 

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“Descobrimos que o padrão, a direção e a velocidade com que os incêndios se moviam combinavam perfeitamente com o padrão, a velocidade e a direção com que o desmatamento aconteceu. Isso aponta que os incêndios foram intencionais. Se os incêndios tivessem sido causados ​​fora da concessão ou devido às condições meteorológicas, eles teriam se movido com uma direção diferente. Mas, nos casos que estávamos olhando, havia uma direção muito clara”, explica Samaneh. 

Uma investigação feita pelo Forest Stewardship Council (FSC), órgão que certifica madeiras extraídas de forma legal do qual a Korindo faz parte, mostra que a empresa foi responsável pelo desmatamento de cerca de 30 mil hectares de floresta para dar lugar à plantação das palmeiras e a à produção do óleo. A rede britânica “BBC” teve acesso à documentação, apesar desta nunca ter sido publicada. 

Há relatos de que a companhia associou-se às forças militares e policiais para intimidar a população local, entre eles indígenas, a saírem de suas terras em troca de compensações financeiras pífias: algo próximo de R$ 40 por hectare e mensalidades pagas em escolas para os filhos dos líderes das comunidades.  

Derek Ndiwaen, membro já morto da tribo Mandobo, aceitou o dinheiro. Sua irmã, Elisabeth, acredita que a decisão foi o que o levou à morte. “Meu irmão nunca tinha vendido seu orgulho ou a floresta. A empresa não trouxe prosperidade. O que eles fizeram foi conflito, e meu irmão foi uma vítima A floresta acabou, e estamos vivendo na pobreza”, diz. “Depois que nossa floresta foi vendida, você poderia pensar que teríamos uma vida boa. Mas não temos.

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Fotos: Greenpeace International


Redação Hypeness
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