Debate

Como um ‘vídeo racista’ que não era racista expõe obsessão por likes nas redes

por: Redação Hypeness

Em uma tentativa de chamar atenção para casos de racismo, os amigos Junior Launther, de 22 anos, e Elisama Alves da Silva, mais conhecida como Flor, de 20, viralizaram nas redes sociais com um vídeo bastante polêmico. Na filmagem que conquistou milhares de visualizações e compartilhamentos, Junior ofende a suposta diarista da residência com comentários racistas e gordofóbicos.

Publicado na primeira sexta-feira do mês (6/11), o vídeo recebeu uma enxurrada de comentários contra o posicionamento criminoso do jovem e em defesa de Flor. Contudo, no dia seguinte à publicação inicial, Junior — que é ator — postou um novo vídeo explicando o verdadeiro propósito da ação, que, na verdade, foi programada para divulgar um projeto artístico contra preconceitos, criado por ele e por Flor.

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“A menina que faz faxina aqui em casa vem aqui e fica cantando alto pra caralho. E ainda fala que quer ser cantora”, diz Junior no vídeo viral. “É gorda, preta de cabelo duro…”, completa ele ao filmar Flor, que aparece lavando louça e cantando.

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Com mais de 770 mil visualizações no Instagram, o vídeo em que Junior explica a encenação de racismo não amenizou a problemática envolvida na atitude.

Segundo o rapaz, o vídeo foi idealizado como parte da estratégia de divulgação do álbum “Me Respeita”, em que ele e Flor abordam questões relacionadas ao racismo, à homofobia, à gordofobia e a outros tipos de opressões.

De acordo com o depoimento dos dois, a ação foi planejada com o intuito de chamar atenção na internet sem a necessidade de ter um grande número de seguidores nas redes sociais.

Para Flor, que sonha em ser cantora, a filmagem seria uma forma de ilustrar situações de preconceito vividas por ela e por outras pessoas negras que também passam por acontecimentos parecidos durante a vida.

Capa do álbum ‘Me Respeita’, projeto de Junior Launther e Flor

Contra a utilização do vídeo com o intuito descrito por Junior e Flor, a historiadora e professora Keilla Vila Flor se pronunciou sobre o assunto no Instagram.

“Você não deve criar falsas denúncias a respeito de qualquer causa para dar visibilidade a ela. Na verdade, isso vai fazer com que as próximas denúncias sobre esse tema sejam invisibilizadas”, disse Keilla, que também colunista é do “Ativismo Negro“.

“Muitas pessoas se sentiram enganadas com a irresponsabilidade e com a engenhosidade da ação. Eles perceberam como o racismo opera e viram como dava para tirar vantagem disso”, completou a historiadora, em entrevista à “BBC News Brasil“.

Após a repercussão do vídeo de Junior e Flor, o ator ganhou cerca de 20 mil novos seguidores no Instagram, enquanto a cantora soma mais de 100 mil perfis que a seguem na mesma plataforma.

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Foto: Reprodução Instagram/@juniorlaunther


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