Ciência

DNA da redação: fizemos um teste para saber mais sobre nossa ancestralidade e nos surpreendemos

Gabriela Rassy - 23/11/2020

Quem somos e de onde viemos? As clássicas perguntas parecem fazer cada vez mais sentido, ainda mais em um momento de tantas incertezas. A ancestralidade sempre foi um tema que me interessou muito. Afinal, quem foram as pessoas que ajudaram a construir quem sou eu e qual é o mundo ao meu redor.

Já tinha feito muitas tentativas de rastrear minhas origens através de árvores genealógicas, fotos e relatos da família, mas tudo ia ficando nebuloso quando buscava mais atrás. Como brasileira, estava certa de três lugares comuns: nativos americanos, portugueses e africanos. Mas era impossível saber ao certo a região exata dos meus antepassados.

A equipe do Hypeness foi então convidada pelo Meu DNA para fazer um teste e descobrir detalhes sobre nossa origem. Empolgadíssimos, seguimos os simples passos explicados no kit de coleta e aguardamos os resultados. Agora conto para vocês algumas reflexões que tivemos neste processo.

“Eu sempre tive uma vontade enorme de fazer esse teste para descobrir a minha ancestralidade, principalmente como pessoa preta. No Brasil, a ancestralidade das pessoas pretas sempre foi muito apagada, muito diminuída pela história, assim, literalmente sabe? Documentos extraídos. Qual é nosso passado, qual é nossa ancestralidade?”, questiona a jornalista Karoline Gomes. 

Sua mãe estava certa que o resultado de seu teste seria Espanha e Portugal, pois era de lá seus registros familiares. “Aí eu fiz uma leve indagação: mas a gente é preto da onde? Com certeza algum povo da África influenciou a nossa genética. Pelo menos é nisso que eu estou apostando”, completou.

Kauê Vieira, nosso subeditor, teve a mesma reflexão: “uma das violências do racismo é justamente a violência ancestral que te impede de ter qualquer tipo de contato de saber sobre as suas origens, estão estou muito feliz em fazer o teste”.

As questões de Karol e Kauê me pegaram bastante. Até porque sou uma mulher negra clara com muitas misturas na família. Apesar de saber das origens sírias do meu pai, me faltava mais informações sobre a negritude da família da minha mãe.

Em todo caso, nossa social media Kathleen Santiago disse algo que ficou bem claro para todos: “Eu nem sabia que eu tinha tanta vontade e quando apareceu a oportunidade veio um quentinho no coração porque eu não faço ideia da onde eu descendo”. E de fato, tínhamos pouca ideia mesmo!

Na caixa vinham os dizeres: estamos entregando nosso teste Origens, com ele você terá acesso a detalhes de sua ancestralidade, além de conhecer dados sobre a cultura de cada povo que faz parte do seu DNA.
Após recebermos o seu material, nós analisamos o DNA e conseguimos encontrar respostas sobre sua origem levando em consideração até 8 gerações passadas, o que corresponde aos tataravós dos seus avós!

O resultado!

Algumas das minhas ideias se confirmaram enquanto outras ficaram mais malucas ainda. Se por um lado eu já esperava que aparecesse Síria e Líbano, por outro eu não esperava encontrar Palestina ali no meu sangue. O total da região ficou em 53,5%. Minha expectativa africana se frustrou um pouco, com quase 3% na região oeste do continente, divididos entre Nigéria e Costa do Marfim. Na Europa, além de aparecer a península Ibérica com 18,7%, surgiu ali o sul da Itália, Malta e até Armênia.

Estranhamente, nada de nativos da América do Sul, apesar dos registros orais que passam por toda a família sobre minha tetravó, uma indígena “adotada” por portugueses. Talvez seja difícil ter registro de uma população que foi escravizada e dizimada por esses que compõe boa parte do DNA de (quase) todos nós.

“O mais empolgante de ver o resultado foi a parte que indicava meu DNA na África. Indicou Angola, que compõe 14% do meu DNA. Mas, sim, a maior porcentagem do meu DNA, desta pessoa preta aqui, é europeia. Esses 14% africanos despertaram muito a curiosidade da minha família e acabou resultando numa baita pesquisa na minha. Eu estou entrevistando parentes mais velhos para traçar ali a minha ancestralidade e está sendo uma descoberta incrível, que acabou sendo motivada pelo Meu DNA. Uma experiência de bastante aprendizado e enriquecedora”, conta Karol.

Angola

Nossa repórter Barbara Araujo também ficou animada com o resultado. “Meu DNA é uma grande mistura entre Europa, América e África, em especial o que eu mais gostei de descobrir foram as minhas origens na Angola e de nativos da América Central e América do Sul, que são todas regiões pelas quais eu sinto muito carinho”, conta.

“Eu sou 70% europeia, com 52,3% vindo da França, o que me surpreendeu porque eu achei que meu percentual maior com relação à Europa viesse da Holanda e o país nem apareceu nos meus resultados”, disse Veronica Raner.

Kathleen descobriu que pouco mais de 7% do seu DNA vem de povos nativos da América do Sul. “Tanto por histórias de família, mas principalmente por achismo, eu esperava que esse percentual fosse bem maior”. 

Já para Kauê, foi tudo novidade. “Minha família sempre imaginou que nós descendíamos de origens angolanas, o que se confirmou, mas a gente pensou que poderia ter, ou eu no caso, grande parte da minha ascendência vinda do norte da África, principalmente da Argélia e da Tunísia. Foi uma experiência super gratificante que agora me dá gás e muita vontade de continuar pesquisando em busca de novas respostas para traçar uma árvore genealógica da minha família”.

Tunísia

Para saber mais sobre sua ancestralidade acesse o site do Meu DNA e entenda como funciona o teste!

Assista ao vídeo com reações, expectativas e falas importantes do pessoal que faz o Hypeness funcionar todos os dias:

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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