Debate

Futebol precisa debater incidência de doenças degenerativas no cérebro

por: Redação Hypeness

A notícia de que Sir Bobby Charlton está com demência voltou a acender um alerta no mundo do esporte. Qual seria a relação entre a doença degenerativa que acometeu o ex-jogador de futebol e campeão do mundo pela Inglaterra em 1966 e a prática desportiva? 

Estágios iniciais do Parkinson são descobertos e indicam avanços em direção à cura

Bobby Charlton em ação durante partida do Manchester United, em 1973.

Doenças degenrativas do cérebro e a seleção de 66 

Antes da notícia sobre Charlton, no último dia 30 de outubro, a Inglaterra perdeu um dos grandes nomes daquela seleção vitoriosa na Copa. Aos 78 anos, Nobby Stiles morreu com o diagnóstico de um câncer de próstata e Mal de Alzheimer. 

A contagem chama atenção: de acordo com uma reportagem da CNN, dos onze jogadores que começaram a final de 1966, ao menos cinco desenvolveram alguma forma de demência ou Alzheimer. O placar daquele jogo foi de 4 a 2 contra a Alemanha Ocidental. Um dos gols da seleção vice-campeã foi marcado por Helmut Haller, que morreu em 2012 diagnosticado com Parkinson e demência. 

Uma pesquisa feita pela Universidade de Glasgow e publicada no ano passado identificou que jogadores de futebol tem até 3,5 vezes mais chances de desenvolver doenças neurodegenerativas por conta dos constantes choques que fazem ao longo da vida com a bola.

Bobby Charlton e Nobby Stiles sorriem e se abraçam no campo do Manchester United, em 1968.

O ‘Restaurante dos Pedidos Errados’ só contrata pessoas com demência e isso é muito maravilhoso

O mesmo estudo avaliou que os jogadores também têm duas vezes mais chances de desenvolver Parkinson, cinco vezes mais chances de terem Alzheimer e ainda quatro vezes mais chances de desenvolver a doença do neurônio motor, que afetam neurônios motores. 

Para o pesquisador Dr. Willie Stewart, um neuropatologista que participou na pesquisa, os número mostram que algo precisa ser feito no tocante à utilização da cabeça no futebol. 

Acho que, se o futebol não mudar, poderemos (no futuro) olhar para o time de futebol do Liverpool que ganhou o campeonato em 2020, marcar quatro ou cinco deles e dizer que, infelizmente, esses caras faleceram com doenças neurodegenerativas. Esse é o nível do problema que estamos falando aqui”, disse à CNN Sport.

A seleção da Inglaterra posa com a taça Jules Rimet após a conquista da Copa do Mundo de Futebol, em 1966. Nobby Stiles é o segundo em pé da direita para a esquerda; Bobby, o último à direita, sentado.

Estudo conclui que dançar é a maneira mais efetiva de prevenir o Alzheimer

Diretrizes estabelecidas pela Football Association, o equivalente da CBF no futebol inglês, e lançadas este ano determinam que crianças com menos de 11 anos estão proibidas de participarem de treinos de cabeceio.  

Temos que olhar para as categorias mais jovens, com jogadores mais novos. Isso tem que ser repassado para cientistas e especialistas médicos e pessoas que têm experiência nisso para refletir sobre os jogadores em desenvolvimento e o quanto de cabeceamento eles podem fazer e se isso deve ser restringido”, refletiu Frank Lampard, técnico do Chelsea, clube da primeira divisão inglesa, e ex-jogador da seleção da Inglaterra. 

Frank Lampard cumprimenta Bobby Charlton com um aperto de mão no gramado do Stamford Bridge, em 2013.

Publicidade

Fotos: Getty Images


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Passada eleição, SP vai regredir de fase na quarentena para brecar pandemia