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Homem morto é coberto com plástico e padaria segue funcionando normalmente

por: Karol Gomes

Os responsáveis por uma padaria em Ipanema (RJ), nos arredores da praça Nossa Senhora da Paz, cobriram com sacos de lixo o corpo de um homem em situação de rua que faleceu no estabelecimento. Cadeiras foram colocadas ao redor do cadáver para que os clientes não tropeçassem nele e a padaria continuasse funcionando normalmente. As informações foram publicada por meio de relatos de um cliente ao Jornal O Globo.

O frequentador da padaria em um dos bairros mais eletizados do Rio de Janeiro relata ainda que o saco de lixo era curto, deixando um dos pés do homem à mostra. O expediente continuou normalmente por duas horas, até que as autoridades chegaram para removê-lo.

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O homem costumava ir ao local todos os dias para pedir que lhe pagassem um café e um pão e manteiga. “Andava desaparecido, dizem que em tratamento contra a tuberculose”, ainda segundo os relatos.

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Homem morto é coberto com plástico e padaria segue funcionando normalmente

Outros fregueses afirmam terem pedido o fechamento da padaria, por preocupação sanitária e humanitária, para administração do local, que teria respondido: “Ninguém teve humanidade quando ele estava jogado na rua. Agora que morreu jogado na minha padaria querem que eu tenha humanidade”

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Desumano, mas não inédito

Algo muito parecido aconteceu em uma unidade da rede de supermercados Carrefour em Torre, bairro do Recife, em Pernambuco, em agosto desse ano. Conforme mostoru o Hypeness, o vendedor Moisés Santos, que trabalhava para promover produtos da empresa Coco do Vale, sofreu mal súbito e acabou falecendo no local. Para não terem que fechar a loja, os funcionários da rede francesa mantiveram o corpo do senhor coberto com guarda-sóis do mostruário para que os clientes não o notassem e continuassem suas compras.

O corpo do Sr. Moisés permaneceu nas dependências da loja das oito da manhã até o meio-dia, quando foi retirado pelo Instituto Médico Legal (IML) da região.

Em nota enviada ao Hypeness, o Carrefour afirmou que “sente muito e informa que, por conta do ocorrido, revisitou seus protocolos, implementando a obrigatoriedade de fechamento das lojas para fatalidades como essa”. 

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Foto: Reprodução/Twitter


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


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