Sustentabilidade

Ipê tem sobrevivência ameaçada após canetada do governo Bolsonaro; entenda  

por: Vitor Paiva

Apesar de delirantemente atribuir a outros países a responsabilidade pelo comércio ilegal de madeira brasileira, o governo Bolsonaro há poucos meses afrouxou a legislação sobre a exportação de Ipê, umas das madeiras nacionais mais cobiçadas no resto do mundo, que passou a ser vendido como um espécie qualquer e sem nenhum tipo de controle especial. Assim, seu preço se equivale à venda de eucalipto, em medida que contraria pareceres técnicos anteriores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Um ipê amarelo à beira de uma estrada brasileira © Wikimedia Commons

A solicitação do IBAMA que a atual administração federal contrariou pedia que o Ipê fosse incluído como espécie em um sistema internacional de monitoramento. Através de um extenso relatório, o Instituto demonstrou que a madeira vinha sendo extraída em território brasileiro sem maiores rigores ou fiscalizações. Foi a partir de tal parecer que se deu a sugestão de que a espécie fosse incluída como ameaçada de extinção ou em situação de alerta na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites, na sigla em inglês). Uma análise técnica concluiu que o Ipê deveria de fato ser incluído em tal lista, mas a determinação não foi aceita por Ricardo Salles, atual ministro do meio-ambiente. No Peru e na Venezuela, o Ipê já é considerado uma espécie ameaçada de extinção.

Bolsonaro e Ricardo Salles © Getty Images

Segundo apurou reportagem do jornal O Estado de São Paulo, a decisão de excluir a árvore brasileira da lista de proteção internacional se deu a partir da pressão de madeireiros do Mato Grosso e do Pará, sob alegação de que a medida atrapalharia o comércio internacional. Além da exclusão do Ipê, o governo Bolsonaro também acabou com as inspeções realizadas nos portos do país, passando a permitir que produtos florestais passem acompanhados somente de um DOF, documento de origem florestal, sem a necessidade de autorização para a própria exportação.

© Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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