Debate

Joinville elege 1ª vereadora negra que rapidamente se torna alvo de racismo e ameaças de morte

por: Yuri Ferreira

Ana Lúcia Martins (PT-SC), primeira vereadora negra eleita por Joinville, cidade mais populosa do estado de Santa Catarina, já sofreu ameaças de morte e ofensas racistas na primeira semana após os resultados oficiais do pleito municipal de 2020, em que recebeu mais de 3 mil votos.

Uma jovem comemorou a vitória de Ana na corrida pela Câmara de Vereadores joinvillense e um usuário das redes sociais que se autodeclara fazer parte da ‘Juventude Hitlerista disse que “agora é só matar ela, porque o suplente é branco”.

– Negras, trans e mulheres: diversidade desafia preconceito e protagoniza eleições

Primeira vereadora negra de Joinville, Ana Lúcia Martins, é ameaçada de morte em menos de uma semana após o resultado eleitoral

Agora, a Polícia Civil investiga o caso e procura identificar quem foi o responsável pela publicação, que foi apagada das redes sociais. A vereadora eleita vai fazer um depoimento na tarde de hoje sobre o caso. A preocupação que se instala é pela continuidade do mandato de Ana.

“Estou tomando todas as medidas necessárias, já acionei os órgãos competentes e agora estou divulgando aqui, pois minha integridade física está ameaçada. Sabia que não seria fácil. Estava ciente que enfrentaria uma certa resistência em uma cidade que elegeu apenas na segunda década do século XXI a primeira mulher negra”afirmou a vereadora eleita em postagem no Facebook.

– Candidatos negros terão financiamento proporcional em luta contra racismo na política

“No mais, conto com o apoio de todas, todos e todes que são contra o discurso de ódio e a violência, que se levantam contra o racismo, o machismo, LGBTfobia e toda forma de opressão.  Não vão nos calar. Não vamos recuar. Seguimos firmes, com coragem e disposição para defender os direitos da população negra, das mulheres, da juventude, da população periférica, Imigrantes e refugiados e da classe trabalhadora”, disse.

Nazismo em Santa Catarina

Joinville tem uma grande comunidade alemã e todo o estado de Santa Catarina é conhecido no Brasil por abrigar diversas células neonazis. Em Pomerode, também no estado, o nazi Wander Pugliesi, conhecido por ter uma suástica gigante na piscina de sua casa e também por suas defesas públicas ao nazismo, teve a candidatura à vereança autorizada pelo PL, que recuou e expulsou o filiado após críticas na imprensa.

– A expansão do neonazismo no Brasil e como ele afeta as minorias

Governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr, demorou dias para afirmar que não compactuava com as ideias nazistas de seu pai

A governadora em exercício do estado, Daniela Reinehr, primeira mulher a controlar o Executivo do estado, também se envolveu em uma polêmica sobre o regime de Hitler. Filha de Altair Reinehr, um dos principais divulgadores da supremacia branca e negacionistas do holocausto, a governadora se recusou a criticar o pensamento do pai durante dias. Somente após pressão da imprensa e da comunidade judaica a bolsonarista afirmou “não compactuar com o nazismo”.

– Embaixador alemão não consegue entender como brasileiros distorcem nazismo

Nesse ano, um homem foi preso em São José, cidade próxima à capital Florianópolis, por exibir uma suástica em sua janela de casa.

Vale lembrar que foi o governo de Hitler o responsável por um dos principais problemas ambientais do estado catarinense: a poluição no Canal do Linguado. A faraônica obra instalada em parceria do governo de Getúlio com os alemães represa dejetos químicos e industriais na água e gerou a morte de praticamente toda a fauna marinha na região. 

Publicidade

Fotos: Reprodução/Facebook


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.


X
Próxima notícia Hypeness:
Nicette Bruno, 87 anos, é intubada após piora em quadro; atriz contraiu Covid de parente, diz filha