Criatividade

“Livro de amizades” de 400 anos com assinaturas da nobreza da época é vendido por 3,3 milhões de dólares

por: Vitor Paiva

Assim como os “Livros de presença” nos quais os convidados de uma festa ou de um evento assinam seus nomes como lembrança, ou os anuários das escolas, principalmente nos EUA, onde amigos escrevem mensagens como lembranças daquele período, os reis, imperadores e nobres do passado também tinham seu “Livro de amizade” – e foi um desses raríssimos exemplares que a biblioteca alemã Herzog August Bibliotek Wolfenbüttel recentemente adquiriu, pela bagatela de 3,3 milhões de dólares.

Intitulado Große Stammbuch, o “Livro da Amizade” da antiga nobreza europeia tem cerca de 400 anos, e reúne, ao redor de pomposas ilustrações, a assinatura de reis, imperadores, artistas e barões.

O livro foi originalmente produzido por Philipp Hainhofer, um mercador, banqueiro e diplomata alemão, que viveu entre os anos de 1578 e 1647 e que, trabalhando na diplomacia ou como mercador de arte, viajou por toda a Europa e conheceu aristocratas e artistas renomados – assim como a realeza da época. Foi dessa forma que ele conseguiu preencher as 247 páginas de seu “Livro de Amizades”, que era também ilustrado por grandes artistas de então.

Entre os “amigos” do livro estão as assinaturas de nomes como Rodolfo II, imperador do sacro império Romano-Germânico entre 1575 até sua morte, em 1612, e Cristiano IV, rei da Dinamarca e da Noruega entre 1588 até sua morte, em 1648. Isabel da Boêmia, breve rainha consorte do reino da Boêmia, também assina o livro – que, após ser adquirido pela biblioteca alemã, será pela primeira vez exposto ao público em seus 400 anos.

Página com a assinatura de Rodolfo II no alto

“Todos os envolvidos oferecem seu máximo esforço para trazer essa obra-prima de importância histórica, artística e cultural para a biblioteca em Wolfenbüttel”, disse, em comunicado, o ministro Björn Thümler. “O retorno do Album Amicorum (nome do livro em latim) para a Alemanha é do interesse não só do estado da Baixa Saxônia como da Alemanha como um todo, pois ele garante que esse incrível tesouro cultural estará permanentemente acessível ao público”.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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