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Mulher branca autora de show de homofobia em padaria não tem registro na OAB: ‘Quero que polícia se f*’

Karol Gomes - 24/11/2020

Lidiane Biezok, 45 anos, protagonizou um ataque homofóbico, na última sexta-feira (20), em uma padaria em São Paulo, onde agrediu clientes. Ela alega, em entrevista ao UOL, que sofre de transtorno bipolar e que é advogada. Acontece que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou que ela não possui nenhum registro válido de advogada

Uma nota do órgão, emitia ao UOL, confirma que Lidiane “não consta no sistema de cadastro da entidade, tampouco do Cadastro Nacional de Advogados (CNA), mantido pelo Conselho Federal da OAB, que exerce a função de fiel repositório do cadastro de todos os advogados do Brasil”.

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Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver Lidiane transtornada falando, na cara dos policiais militares, que “quer que a polícia se f*”. Internautas, inclusive, têm comentado a reação do policial caso fosse uma pessoa negra tomando essa atitude.

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O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) determinou hoje a prisão preventiva domiciliar de Lidiane, que foi indiciada pela Polícia Civil por injúria racial, lesão corporal e homofobia, segundo o UOL.

Homofobia e berros na Dona Deôla

Segundo Lidiane, em entrevista ao UOL, a confusão começou quando dois clientes foram filmá-la, “apenas por provocação”. Mas, novos vídeos divulgados pela padaria mostram ela maltratando funcionários antes das supostas provocações. Carolina Mirandez, coordenadora de marketing da Dona Deôla, ressaltou que Lidiane era uma cliente que costumava criar problemas no local.

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“É muito comum que ela venha aqui. Ela fica e consome, mas reclama da comida. Sempre foi grosseira, mas nunca teve um problema tão grande. Ela estava exaltada, reclamando da comida e destratando funcionários. Ela disse que, se a comida não estivesse boa, ia arremessar. O supervisor tentou acalmar. O atendente nosso percebeu que ela estava se exaltando contra o supervisor, que é um senhor, e pediu para ela falar baixo. Ela virou e falou ‘sai, seu viado’ e uma série de palavrões. Então os clientes se levantaram e começaram a filmar”, contou Carolina para o UOL.

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Já Lidiane afirma ter sido agredida antes. “Eu estava pegando minha bolsa para ir embora e não queria fazer nada. Mas eles me agrediram. Antes de eu agredir, eles me agrediram, quando eu ainda estava sentada. Pegaram meu cabelo e disseram que era pixaim”, alega. Mas Carolina nega que isso tenha acontecido: “Ela foi abordada por dois clientes, mas não teve agressão. Foi abordada, eles questionaram, disseram que ela não podia falar daquele jeito. Mas agressão não teve”.

Lidiane alega que por ser ‘bipolar; não suportou as supostas provocações. Ela reclama ainda do “politicamente correto” e negou que seja preconceituosa, afirmando ser a maior vítima da história. “Quem foi vitima na história foi eu. Eu estava comendo quieta e não sei de onde vieram aquelas pessoas. Acho que vieram dos protestos (do Dia da Consciência Negra). Acho bonito respeitar a diversidade. Mas a diversidade me respeitou? Agora é fácil dizer que sou racista e homofóbica, mas tenho diversos amigos homossexuais. Só que no calor ali, eu falei coisas que não queria. Eu tinha que me defender. Eu tenho 45 kg. Como vou me defender? A rua ali é totalmente escura. E se eu saísse? Estava preocupada”, afirma, também ao UOL.

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Ameaças pela internet

Lidiane disse que agora ela e sua família estão sendo ameaçadas pela internet. Lidiane disse ainda, na entrevista, que contratou um advogado não só para defendê-la como para processar a Padaria Dona Deôla, que segundo ela não fornece a segurança devida aos clientes.A padaria afirmou que possui um ‘orientador de público’, mas sem autorização para tomar medidas físicas.

A coordenadora de marketing da Dona Deôla revela que Lidiane deixou o estabelecimento sem pagar a contar e que “ela deu um escândalo, então o superviros disse que podia liberar a catraca”, contou ao UOL.

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Funcionários da padaria contaram, em entrevista ao ‘Fantástico‘, que Lidiane costumava fazer comentários racistas e homofóbicos. Uma funcionária até chorou. “Dói para todo mundo. Choro de ódio. Tenho muita raiva”, disse. Outro funcionário afirmou: “Estamos em 2021 quase. Para que essa discriminação?”.

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A padaria já tinha lamentado as ofensas racistas, homofóbicas e transfóbicas, logo após o ocorrido, dizendo repudiar esses atos. Também se colocou à disposição das vítimas para o desenrolar do caso.

Kelton, uma das pessoas agredidas no caso, falou em sua conta no Instagram sobre o momento e o trauma causado pelo episódio protagonizado por Lidiane Biezok. “Estamos processando várias coisas ainda, quando conseguirmos organizar todo esse trauma, vamos responder a todos. É muito difícil ficar revisitando essas coisas, mas tenho provas e tenho como rebater elas. Mas não queria que isso acontecesse com nenhum de nós. Peço e exijo que se estamos falando de um lugar mais saudável, temos que falar de um lugar antirracista, não um lugar menos racista”, afirmou.

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Fotos: Reprodução/Twitter


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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