Debate

PM envolvido em morte de Claudia Ferreira, arrastada por viatura, ganha cargo no governo

por: Karol Gomes

O capitão Rodrigo Medeiros Boaventura, um dos envolvidos no caso da morte de Claudia Silva Ferreira, após ser arrastada por uma viatura da PM por 350 metros, há seis anos, foi nomeado, nesta terça-feira (17), para um cargo importante no governo do Rio de Janeiro. Ele vai atuar agora como superintendente de Combate aos Crimes Ambientais da Secretaria do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), segundo informações da colunista do Extra, Berenice Seara.

A Superintendência de Combate aos Crimes Ambientais (Sicca), que é vinculada à Subsecretaria Executiva da pasta, é responsável pelo “planejamento, coordenação e execução nas ações de combate aos crimes ambientais, integrando os órgãos públicos responsáveis pela fiscalização ambiental das três esferas do governo”, como explica o site da secretaria. O capitão nomeado por Claudio Castro, governador em exercício do Rio, vai substituir Fábio Pinho na função.

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Silêncio no governo do RJ 

“Rodrigo Boaventura responde a processo e não existe nenhuma condenação”, essa foi a curta resposta dada pela Seas, quando questionada sobre a nomeação de um policial que responde por homicídio. De acordo com o jornal Extra, o secretário do Ambiente, Thiago Pampolha, não respondeu a tentativas de contato para pronunciamento. Ainda segundo o jornal, o Governo do Estado também não falou sobre o caso.

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Rodrigo Boaventura segue ativo na Polícia Militar, com remuneração média de R$ 8.712,86, de acordo com o site da Secretaria de Planejamento e Gestão, mesmo respondendo na Justiça pela morte de Claudia, ocorrida em 2014. Na corporação, o capitão sequer responde administrativamente pelo crime, sendo até promovido. 

A colunista do Extra explica que a Polícia Militar não informou qual é a atual situação do policial dentro da corporação, mas em julho de 2020, diz o O Globo, Rodrigo Medeiros Boaventura estava lotado no 41º BPM (Irajá) desempenhando funções na área correcional. Nomeado pela corporação, o capitão é encarregado de diversos Inquéritos Policiais Militares (IPMs) que apuram homicídios cometidos por policiais na região.

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Capitão era visto com apto para julgar crimes militares 

Também foi apurado pela reportagem, que para a PM, o capitão é considerado apto para julgar outros policiais acusados de crimes militares na Justiça. Boaventura integrava uma lista de oficiais encaminhada pela corporação à Auditoria Militar do Tribunal de Justiça do Rio para fazer parte do Conselho Especial de Justiça — órgão formado por quatro juízes militares e o juiz titular da Auditoria Militar, responsável por julgar militares estaduais.

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Na ocasião em que Claudia foi morta e arrastada pela Estrada Intendente Magalhães, Boaventura era tenente e comandava a patrulha que realizou a operação no Morro da Congonha, em Madureira, no dia do homicídio. De acordo com a colunista, até hoje Boaventura, apesar de ter permanecido algumas semanas preso pelo crime à época, nunca foi sequer punido administrativamente pela PM pela morte hedionda.

O sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno, além de Boaventura, também responde pelo homicídio. Já os subtenentes Adir Serrano e Rodney Archanjo, o sargento Alex Sandro da Silva e o cabo Gustavo Ribeiro Meirelles também respondem pelo crime de fraude processual, por terem modificado a cena do crime, removendo Claudia, já morta, de acordo com a perícia, do Morro da Congonha. Serrano e Archanjo estão reformados. Os demais seguem trabalhando na corporação.

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Revelado pelo Extra, o vídeo chocante mostra Claudia, que havia sido baleada no pescoço e nas costas no meio de uma operação do 9º BPM no Morro da Congonha, sendo arrastada pela viatura da PM por 350 metros da Estrada Intendente Magalhães. A mulher estava pendurada no para-choque do veículo apenas por um pedaço de roupa. E mesmo com o alerta de pedestres e motoristas, os PMs não pararam o veículo.

Secretaria volta atrás 

A Secretaria estadual de Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro anunciou a suspensão da nomeação do policial militar Rodrigo Boaventura, réu na morte de Claudia Ferreira, arrastada por mais de 300 metros por uma viatura da Polícia Militar.

A pasta, porém, não deu detalhes sobre o que motivou a desistência. Lembrando que, na terça-feira (17), a Secretaria chegou a dizer que “o oficial responde a processo e não existe nenhuma condenação”, ao justificar a escolha de Rodrigo Boaventura.

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Foto: Reprodução/Youtube


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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