Ciência

Por que a vacina para a Covid-19 não vai fazer a vida voltar ao normal num passe de mágica

Redação Hypeness - 30/11/2020 | Atualizada em - 03/12/2020

Em dezembro de 2020, poucas coisas (ou nenhuma) são tão esperadas no mundo quanto a vacina do coronavírus. Um antídoto para frear a Covid-19 é tudo pelo que o mundo anseia atualmente. Todos querem dar fim à agonia do distanciamento social, do medo de encontrar outras pessoas, da necessidade de usar máscaras e de evitar abraçar amigos ou conhecidos. E muito embora a vacina seja uma realidade cada vez mais próxima, é preciso dizer que o cenário retratado acima não vai deixar de existir com ela. 

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Vacina da Covid está próxima, mas medidas de distanciamento social devem prosseguir.

Infelizmente, é isso mesmo que você leu: a liberação de uma vacina, independentemente de qual seja, não vai jogar um pó mágico sobre o mundo e fazer com que tudo volte a como era no fim de 2019 — e esse é um fato que nós todos precisamos aceitar.

Acontece que a (ou as) vacina(s) que devem ser aprovadas nas próximas semanas e nos próximos meses não tem sua eficácia totalmente comprovada. Cientistas do mundo todo não sabem exatamente se esses antídotos irão evitar que as pessoas contraiam o vírus da Covid. 

A única coisa que sabemos é que elas previnem as pessoas de ficarem muito doentes por conta do vírus. Esses dados foram publicados logo porque são muito promissores, mas nós ainda temos muito o que analisar e muito trabalho a fazer para garantir que nós sabemos exatamente o que as vacinas previnem”, explica Lisa Lee, da Virginia Tech, também ex-funcionária do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e pesquisadora de Saúde Pública especializada em epidemiologia de doenças infecciosas e ética.

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Centro de vacinação em Düsseldorf, na Alemanha, deve ser aberto ainda este mês.

Quando e se ficar comprovado que as vacinas de fato protegem contra a infecção, aí sim poderemos todos parar de usar máscaras para evitar a doença e abortar todos os outros métodos de distanciamento social que temos vivido este ano. 

Isso acontece porque se a vacina apenas proteger contra um desenvolvimento grave no quadro de Covid-19, e não contra o contágio, nós ainda continuaremos espalhando o vírus por aí. “Se nós vacinarmos as pessoas e elas acharem que não vão ficar doentes — sem saber que estão doentes — eles vão continuar transmitindo o vírus para pessoas vulneráveis”, alerta a pesquisadora. 

O aviso é ainda mais preocupante se pensarmos que nem toda a população do planeta será vacinada de uma vez. Milhões de doses de diferentes marcas de vacina já estão pronta apenas esperando a liberação dos órgãos sanitários, mas elas não darão conta de todas as pessoas da Terra. Os Estados Unidos, por exemplo, planejam vacinar cerca de 20 milhões de pessoas ainda este mês. O número não representa nem 10% do total da população norte-americana. A maioria dos americanos não terá acesso à vacina até o fim de 2021. 

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Cientistas alertam que liberação da vacina não será pó mágico de volta à normalidade.

Lee reconhece que o andamento da liberação das vacinas é promissor, principalmente daquelas que vão servir aos EUA, as da Pfizer e da Moderna. Mas ela lembra que a jornada pela imunização não é curta e será preciso tempo para produzir as doses para que toda a população consiga ser vacinada. Especialmente porque cada pessoa precisa tomar duas doses da vacina em um intervalo de cerca de um mês. Se as vacinas saírem ainda este mês, as primeiras pessoas a tomarem só poderão ser observadas quanto à imunização em fevereiro ou até mesmo março. 

“Se uma pessoa consegue ser vacinada, ainda será preciso esperar um mês para que a vacina seja totalmente efetiva. Isso vai levar um tempo”, diz Lee. A pesquisadora demonstra preocupação com o fato de que as pessoas devem relaxar nas medidas de isolamento quando a vacinação começar. 

O cansaço da pandemia é real e eu sei que é muito difícil para todos nós nos mantermos assim. Em qualquer situação de doença contagiosa, há duas coisas com que as pessoas se preocupam. A primeira é a própria infecção. E a segunda é se e como eles infectam outras pessoas com o vírus que causará a doença. Com qualquer uma dessas vacinas, sabemos que ajudarão a proteger o indivíduo. Não sabemos ainda se isso nos protegerá de espalhar o vírus para outras pessoas. Teremos que continuar a nos preocupar com nossa própria saúde e, mais importante, com a saúde das pessoas que amamos e com quem interagimos. Porque se pararmos de respeitar os protocolos de saúde pública, o distanciamento e de usar máscaras, embora possamos estar bem, podemos potencialmente machucar outra pessoa.

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Destaques: ONU/Unsplash // Fotos 1 e 3: Unsplash / Foto 2: Getty Images


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