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Baco Exu do Blues e as imagens que ilustram as músicas de ‘Bluesman’

Bárbara Martins - 23/12/2020 | Atualizada em - 04/01/2021

Quem viu as fotos postadas no Instagram de Baco Exu do Blues na semana anterior ao lançamento de “Bluesman”, seu segundo e bem sucedido álbum, já esperava o poder que o sucessor de “Esú” iria trazer. Clicadas por Helen Salomão, fotógrafa e poetisa baiana, as imagens escolhidas para ilustrar faixa a faixa o novo disco do rapper nordestino são carregadas de beleza, força, ancestralidade africana e, é claro, da essência do que Diogo Moncorvo (ou Baco) chamou de ser bluesman.

Plano de fundo dos lyric videos de cada música no YouTube, as fotografias de Helen são coprotagonistas da obra musical lançada no último dia 23 de novembro. Mesmo não tendo sido feitas especialmente para o disco, as imagens são representações visuais do que as letras, melodias e beats dizem. Por meio das cores, texturas e pessoas, elas mostram a relação entre o poder do blues — nascido nos Estados Unidos, no final do século XIX, pelas mãos de escravos — e os que, assim como os bluesmen originais, lutam pelo direito de ditar as diretrizes da própria identidade, da própria vida e da própria arte.

“Acredito que nós, negros, podemos ocupar e protagonizar os espaços que a gente desejar”, diz Helen, que se tornou conhecida por trabalhar a estética como posicionamento político. Em suas fotografias com foco no empoderamento de mulheres e homens negros, na periferia sem sangue e na beleza de corpos reais, a artista narra de poética e simbolicamente a força da imagem de seus retratados.

A minha ideia é mostrar o que somos de bom para além do conceitual, porque somos bonitos, importantes, inteligentes e estamos aí botando fé na gente, dando continuidade e colocando nossa digital na história.

Em todo o álbum, Baco também contempla essas temáticas. Autoestima, saúde mental, negritude, resistência, amor; todas se juntam em um mesmo “Bluesman”. “Acho esse tipo de registro importante para lembrar aos esquecidos o quanto o negro é belo mesmo não estando dentro do padrão de beleza esquisito do mundo ‘comum’”, diz o rapper que, no primeiro disco, escolheu a arte do fotógrafo Mário Cravo Neto — outro conterrâneo — para acompanhar as canções.

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Fotos: Reprodução / Helen Salomão


Bárbara Martins
Criada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é jornalista, fotógrafa e videomaker. Envolvida pela cultura, história e arte de subúrbios e periferias, dedicou pouco mais de dois anos à cobertura de pautas relacionadas à música como redatora do site Reverb, antigo parceiro do Rock in Rio. Em formação pela UFRJ, também tem experiência com produção de conteúdo para redes sociais, assessoria de imprensa e gravação de sessions e entrevistas.

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