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Budismo: Mantras tradicionais e músicas contemporâneas inspiradas na religião

Kauê Vieira - 23/12/2020 | Atualizada em - 04/01/2021

Há muito tempo a música é usada como forma de nos conectar ao que é divino. Se em um primeiro momento houve certa resistência para que monges ouvissem música, com o tempo, o lirismo cantado passou se estabelecer como parte da tradição budista, dando origem a mantras, oferendas e celebrações variadas na religião. Hoje em dia, a música é um canal dentro do budismo para ajudar na concentração, no relaxamento e na devoção diante do divino.

Budismo: Mantras tradicionais e músicas contemporâneas inspiradas na religião

Separamos algumas músicas de origem budista, inspiradas por pensamentos budistas ou cantadas por músicos budistas contemporâneos.

‘SILLY BOY BLUE’, DE DAVID BOWIE

Em 1966, aos 19 anos, David Bowie bateu à porta do monge budista Chime Rinpoche com o intuito de se tornar um monge. O mestre o aconselhou para que não fizesse isso, já que o talento de Bowie para a música era tão latente. Bowie se inspirou no clássico “Sete anos no Tibet” e no Palácio de Potala, tradicional construção tibetana, para compor “Silly Boy Blue”.

‘NAM MYOHO RENGE KYO’, DE TINA TURNER

Tina Turner se converteu ao budismo de Nichirem em 1974, pouco depois de uma tentiva de suicídio. Ela atribui ao encontro com a religião a origem da força que teve para deixar o conturbado casamento com Ike Turner. Gravar o mantra budista “Nam-Myoho-Renge-Kyo” como uma das faixas do projeto “Beyond” – que reúne cantos cristãos e budistas – foi uma maneira de se demonstrar grata ao que o budismo fez na vida dela. A música é muito tradicional no budismo de Nichiren.

‘CHÖD – IN PRAISE OF THE SACRED FEMININE’, DE AYYA YESHE E INDIAJIVA

Chöd é uma prática tântrica que foca na tentiva do ser humano em se afastar do seu próprio ego em busca da prórpia liberdade. No vídeo, a monja Ayya Yeshe canta versos trazidos do século XI, acompanhada da música de Indiajiva.

‘THANK U’ , DE ALANIS MORISSETTE

Uma viagem à Índia deu a Alanis Morissette inspiração para se livrar da raiva apresentada por ela em “Jagged Little Pill”, seu álbum de 1995, e trazer ao mundo “Supposed Former Infatuation Junkie, cuja capa faz referência aos oito preceitos do budismo. O single “Thank U”, lançado em 1998, é um claro momento de agradecimento da cantora canadense à transformação vivida por ela no país asiático.

‘SHAKUHACHI HONKYOKU’

A palavra “honkyoku” designa canções tocadas por monges japoneses desde o século XIII. As músicas eram entoadas como uma forma de esclarecimento espiritual. As flautas que são usadas para a execução da música exigem controle de respiração, o que faz da prática uma espécie de meditação, parte da tradicional prática de suizen.

‘CONSTANT CRAVING’, DE K.D. LANG

Quando K.D. Lang surgiu para o mundo, no começo dos anos 1990, ela ficou famosa pelo estilo andrógino e por se assumir lésbica em uma época em que menos artistas se sentiam livres para tal. Tempos depois, ela se tornaria uma praticante do tantrismo. Ela afirma que a música “Constant Cravin” é uma descrição da samsara, conceito budista que relaciona realidade e mundos alternativos.

‘FOOTPRINTS’, DE WAYNE SHORTER

O saxofonista Wayne Shorter é uma lenda do jazz e seguidor do budismo de Nichiren. “Fottprints”, uma de suas músicas, foi gravada por Miles Davis. Aqui, ela é tocada pelo próprio Wayne e com o amigo, o também budista Herbie Hancock no piano.

‘ASHITA E NO SANKA’, DE ALAN DAWA DOLMA

A cantora chino-tibetana Alan é budista e estrela na Ásia. A música “Ashita e no sanka” é um de seus grandes sucessos e apresenta características marcantes da música asiática, como as longas notas agudíssimas e o uso do erhu.

TRADICIONAL CANTO PALI

A gravação do tradicional canto Pali, liderada por Ayya Vayama, da Sociedade Budista da Austrália Ocidental, provoca uma sensação de conforto para a maioria dos que a ouvem. A canção costuma ser entoada em mosteiros tradicionais budistas.

 

 

‘ANTHEM’, DE LEONARD COHEN

Leonard Cohen se tornou famoso por conta de suas poesias e músicas. Mesmo assim, quando se tornou um monge budista, recebeu o nome de Jikan, que significa “silêncio comum”. As influências budistas são perceptíveis na música “Anthem”, um provável resultado do papel da religião na vida de Cohen.

 

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Foto: Getty Images


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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