Sustentabilidade

Cientistas canadenses criam substituto sustentável ao óleo de dendê

Vitor Paiva - 04/12/2020 | Atualizada em - 05/03/2021

Além de trazer malefícios variados à saúde, o óleo de palma ou óleo de dendê tem em sua produção uma gigantesca ameaça ao meio ambiente e aos animais nas regiões em que o dendezeiro é cultivado – especialmente em regiões tropicais. Seu uso é importante para produtos como biscoitos, pizzas industriais e pasta de amendoim, e ajuda a manter gorduras vegetais em formato sólido – e uma equipe de cientistas canadense criou um substituto funcional (e saudável) para o problemático óleo: utilizando um processo intitulado “gricerólise enzimática”, o novo óleo foi inspirado na maneira que o próprio corpo humano produz triglicerídeos.

O dendê, fruto do dendezeiro © Getty Images

A assinatura do projeto é de Alejandro Marangoni, cientista de alimentos na Universidade de Guelph, e buscou um meio de justamente desenvolver um óleo que se mantivesse sólido em temperatura ambiente como o óleo de palma, mas sem a alta quantidade de gordura saturada como o óleo de coco, nem o devastador impacto às florestas em sua produção. Através da “gricerólise enzimática”, o projeto de Marangoni combina enzimas com glicerina para produzir o óleo vegetal sólido sem a adição de gordura saturada. Por ser baseado em óleos vegetais de baixo custo e com menos gordura, o projeto permitirá que os preços permaneçam baratos.

À direita, o cientista Alejandro Marangoni, com o óleo desenvolvido por sua equipe © Universidade de Guelph/divulgacão

A explosão na produção e no uso do óleo de palma começou nos anos 1980 e 1990, quando nutricionistas começaram a alertar para o perigo do consumo excessivo de gorduras hidrogenadas, e o óleo surgiu como substituto – que também é utilizado em cosméticos e mesmo pasta de dentes: estima-se que um em cada dois produtos no supermercado contenham o óleo. Acontece que aos poucos o impacto ambiental de sua produção foi se revelando devastador – o cultivo desenfreado, oriundo especialmente da Indonésia e da Malásia, pode hoje ser vista como o produto singular mais maléfico ao meio-ambiente.

Alejandro Marangoni © Universidade de Guelph/divulgacão

A invenção da equipe canadense foi publicada na revista científica Nature.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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