Criatividade

O guia definitivo de como escapar de um vulcão em erupção

por: Redação Hypeness

É possível escapar de um vulcão em erupção, mas como? Partindo do ano 79, quando o vulcão Vesúvio entrou em erupção e destruiu a antiga cidade romana de Pompeia, o site “Wired” montou um guia de como os habitantes das regiões próximas ao local poderiam ter se salvado da tragédia natural. Ao contrário dos primeiros pensamentos que aparecem na mente, tentar fugir pelo mar ou procurar abrigos subterrâneos não são nem de perto boas opções para sobreviver.

Um terremoto de 5.9 graus de magnitude na escala Richter alertou os moradores de que algo não estava certo com o Vesúvio em agosto de 79 d.C. Localizado onde hoje está Nápoles, na Itália, o vulcão é considerado um dos mais ativos do país europeu e é conhecido pelas históricas erupções explosivas.

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Ilustração da grande erupção do Vesúvio em 20 de outubro de 1767

Ilustração da grande erupção do Vesúvio em 20 de outubro de 1767

Segundo Pier Paolo Petrone, antropólogo forense da Universidade de Nápoles Federico II, diversos residentes de Pompeia conseguiram sobreviver à erupção que liberou 100 mil vezes a energia térmica da bomba de Hiroshima. “Mas provavelmente apenas [sobreviveram] aqueles que tomaram medidas imediatas”, explica Petrone em entrevista ao “Wired”.

Infelizmente, em vez de evacuar a cidade imediatamente, alguns pompeianos se abrigaram para evitar as cinzas que caíram sobre região e, pouco tempo depois, morreram. De acordo com a pesquisa de Cody Cassidy, autor da reportagem, os estágios iniciais da erupção do Vesúvio não foram os mais perigosos, o que fazia deles os ideais para que houvesse uma rápida fuga do local.

O que aconteceu no Vesúvio

No início da atividade do vulcão, o magma pressurizado com gases dissolvidos quebrou o respiradouro do Vesúvio como se as rochas fossem uma gigantesca lata de refrigerante. Os gases quentes saíram da solução e passaram pela abertura estreita do vulcão, provocando explosões que expulsaram pedaços de lava e gás a alguns quilômetros de altura.

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Ao sugar e aquecer o ar ao redor,  o vulcão criou uma nuvem leve e quente que subiu bem alto na atmosfera, para mais tarde esfriar e cair aos poucos. Embora os pedaços iniciais de pedras-pomes fossem pequenos e caíssem como chuva, eles eventualmente aumentaram para tamanhos com capacidade de derrubar casas.

Após o magma mais gasoso sair, menos gás foi forçado pela abertura do Vesúvio e os jatos perderam energia. Assim, em vez de subir quilômetros na atmosfera, a densa mistura de cinzas quentes e gás subiu apenas algumas centenas de metros e depois caiu, ganhando velocidade suficiente para formar uma tempestade de areia superaquecida que se moveu em altas velocidades.

Densos e com capacidade de sufocar pessoas, os fluxos gasosos fluíram por quilômetros até que, nas primeiras horas da manhã seguinte, formaram uma onda que matou todos os que permaneceram em Pompeia.

Como escapar do vulcão em erupção

De acordo com Pier Paolo Petrone, existiam duas opções para os moradores de Pompeia terem sobrevivido à erupção. A primeira seria ir até Nápoles — que se localiza a cerca de nove quilômetros do vulcão —, e a segunda seria seguir em direção ao sul, até a cidade de Stabia.

Embora também houvesse problemas com as duas alternativas, seguir em direção ao mar traria o perigo de tsunamis (por conta da movimentação das placas tectônicas) e das péssimas condições climáticas, já que a direção dos ventos predominantes estavam contra quem tentasse navegar.

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Plano de evacuação da cidade de Pompeia durante a erupção do Vesúvio, em 79 d.C.

Plano de evacuação da cidade de Pompeia durante a erupção do Vesúvio, em 79 d.C.

Apesar do medo compreensível de morrer derretido pela lava, ela não é o aspecto mais preocupante da erupção. Dependendo da composição, a lava pode ser de 10.000 a 100 milhões de vezes mais viscosa que a água. Isso significa que mesmo a rocha derretida mais escorrida tem a viscosidade do mel à temperatura ambiente.

Então, a menos que você esteja em uma encosta muito íngreme, é possível ultrapassá-la. Objetos fixos como casas podem ser achatados pelos “rios de fogo”, mas “geralmente, as pessoas podem se mover para fora do caminho”, diz Stephen Self, vulcanologista da UC Berkeley, também em entrevista ao “Wired”.

A preocupação principal deve ser com a composição do magma abaixo da montanha. Quanto mais viscoso, mais gases o magma contém e mais violentamente ele irá explodirNo caso do Vesúvio, o magma era incomumente viscoso, o que explica em parte por que a erupção de 79 d.C. foi registrada como um 5 de 8 no índice de explosividade vulcânica calculado a partir de logaritmos.

Outro grande problema com a erupção do Monte Vesúvio em 79 não era apenas seu tamanho, mas o fato de que muitas pessoas viviam perto dele. Para James Moore, vulcanologista e cientista emérito do US Geological Survey, a melhor forma de escapar de um vulcão em erupção é bem simples: “Não morar perto de um!”

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Mas isso é muito mais difícil do que pode parecer. Não foi apenas má sorte que fez os romanos construírem sua cidade na base do Vesúvio. Vulcões tendem a atrair sociedades humanas porque suas erupções antigas podem produzir solos fantásticos para o plantio de alimentos.

De qualquer forma, os pompeianos só tinham duas rotas de fuga possíveis: ir para o norte (Nápoles) ou para o sul (Stabia).

Rota para Stabia, ao sul

Se eles corressem para o sul e para longe do Vesúvio, teriam duas preocupações. Primeiro, não é claro o quão longe eles precisariam ir. Sabe-se que é necessário, pelo menos, passar correndo pela cidade de Stabia, que se localiza a cerca de 4,5 milhas de distância do Vesúvio. Se eles seguissem rumo ao sul, também correriam na direção dos ventos predominantes, o que significa que a nuvem faria chover continuamente cinzas e pedras-pomes sobre eles.

Conforme a continuação da erupção, o problema só iria piorar. Eventualmente, a nuvem se tornaria tão espessa que o dia pareceria noite.

Rota para Nápoles, ao norte

Segundo Pier Paolo Petrone, há evidências de fugas bem-sucedidas para o norte e para o sul. No entanto, ele sugere que a melhor rota seria a que leva ao norte, em direção a Nápoles — e em direção à erupção.

Ele diz que a estrada entre Pompeia e Nápoles estava bem conservada, e os registros escritos dos que sobreviveram sugerem que a maioria dos fugitivos bem-sucedidos foi para o norte, enquanto a maioria dos corpos dos fugitivos — que admitidamente saíram tarde demais — foram encontrados para o sul.

Contudo, quem foi para o norte precisou se mover rapidamente, porque a caminho de Nápoles fica a cidade turística de Herculano, local também fortemente atingido pelas consequências da erupção do Vesúvio.

Ruínas da cidade de Herculano

Ruínas da cidade de Herculano

Herculano fica a apenas 6,4 km a leste da abertura vulcânica, mas, nas primeiras horas da erupção, os ventos predominantes a poupam da maior parte das cinzas e das pedra-pomes. Infelizmente, quando o Vesúvio atinge o magma mais profundo e desenvolve seu primeiro fluxo piroclástico — uma forte e rápida onda gasosa de origem vulcânica —, o gás aquecido e as cinzas se movem diretamente para Herculano e matam a todos quase instantaneamente.

“Provavelmente apenas aqueles que conseguiram entender desde o início a gravidade da situação escaparam a tempo”, finaliza Petrone.

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Fotos 1, 2, 4 e 6: Getty Images / Fotos 3 e 5: Reprodução/"Wired"


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