Debate

Dani Calabresa diz que precisou se defender e advogada critica postura de Marcius Melhem

por: Karol Gomes

Pela primeira vez desde a publicação da Revista Piauí, que expôs denúncias de assédio moral e sexual feitas contra o ex-diretor da Globo Marcius Melhem, a atriz Dani Calabresa se manifestou publicamente. 

“Nunca quis ser vista como uma mulher assediada”, afirmou em mensagem postada nas redes sociais. “Mas para recuperar a minha saúde, precisei me defender. Nunca procurei a imprensa. Tomei as medidas cabíveis para conseguir ajuda. Tudo é muito difícil, dá medo, vergonha, mas temos que lutar por respeito e justiça. Não passarão. Assédio é crime!”.

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A colunista Mônica Bergamo, da Folha, foi a primeira a expor a extensão das acusações contra o humorista, por meio de uma entrevista com a advogada Mayra Cotta, representante de vítimas e testemunhas no processo interno de compliance da TV Globo. 

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Nesta sexta-feira (4), a reportagem da Revista Piauí revelou detalhes sobre dois assédios sofridos por Dani Calabresa, que causaram comoção de internautas e artistas, que saíram em defesa da atriz. Ela também agradeceu pelas manifestações de carinho que vem recebendo tanto de amigos, colegas e do público em geral após o caso ser divulgado. Calabresa ainda disse estar do lado de todas as mulheres que passam ou passaram por isso.

“Toda minha solidariedade às mulheres que passam por isso e têm medo de denunciar”, afirmou. “É impressionante a luta que uma mulher precisa travar pra provar que é vítima. Denunciem!!!”, escreveu. 

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Na época dos crimes, Marcius Melhem atuava como diretor humorístico da emissora. Segundo testemunhas e colegas de Calabresa, as situações aconteceram em 2017. Uma delas, trazida pela Piauí, revela que Marcius Melhem tentou beijar Calabresa à força, além de agarrá-la contra a sua vontade e de exibir suas partes íntimas durante uma festa da equipe do Zorra, no Rio de Janeiro. Ele também pediu para que a artista “calasse sua boca” sobre a situação.

Calabresa denunciou o fato à chefe de Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico (DAA), Monica Albuquerque, após deixar o elenco do Zorra. De acordo com a reportagem, a primeira decisão em relação ao fato foi recomendar uma terapia ao acusado, sem nenhuma advertência. 

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Na sequência, o caso também foi levado para Carlos Henrique Schroder, diretor-executivo de Criação e Produção de Conteúdo da Globo, que pediu que uma investigação fosse realizada e novos casos contra Melhem apareceram. Ao menos três atrizes manifestaram incômodo ao contracenar com o ator e diretor, citando situações em que ele “roçava o pênis” nelas.

Seguindo a repercussão do caso, a advogada de Dani Calabresa e de outras cinco mulheres que realizaram denúncias, deu uma entrevista exclusiva ao jornalista Roberto Cabrini. Na reportagem, veiculada na edição deste domingo (6), no Domingo Espetacular (RecordTV), ela falou sobre o fato de Melhem ter dito que vai processá-la.

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“Eu acho lamentável que uma advogada, representando vítimas de assédio sexual, seja também colocada na posição de vítima, diante de uma ameaça desse tipo. Acho perigoso que a função de advogada esteja sendo ameaçada desse jeito”, afirmou.

Em mensagem enviada a Roberto Cabrini por escrito, e exibida na reportagem, Melhem declarou: “Em respeito a você e a seus telespectadores, preciso esclarecer que mais uma vez a advogada Mayra Cotta vai à imprensa ao invés de ir à Justiça para buscar a reparação às mulheres que ela representa. Venho a público reafirmar que são acusações mentirosas. Nunca tranquei ninguém, nunca chantageei ninguém, nunca forcei ninguém a nada. Por essa razão, estou processando a advogada Mayra Cotta”.

No programa, a advogada respondeu a tentativa da parte de Melhem de desvalorizar a denúncia: “Eu recebo isso de uma maneira triste, mas não surpresa. É a tática mais antiga entre os assediadores, de tentar desacreditar, reduzir, diminuir a dor das vítimas”.

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Foto 1: Reprodução / TV Globo
Foto 2: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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