Ciência

Davi Kopenawa é eleito membro da Academia Brasileira de ciências

por: Vitor Paiva

Uma das mais importantes e ativas lideranças indígenas brasileiras da atualidade, o escritor e xamã Davi Kopenawa Yanomami foi recentemente eleito para integrar a Academia Brasileira de Ciências – em gesto de reconhecimento por sua contribuição na expansão do conhecimento científico, das possibilidades da ciência no país e pela valorização da cultura indígena e de sabedorias ancestrais. A eleição de Kopenawa é, portanto, um marco – de reconhecimento de sua atuação pública como um “relevante serviço à instituição ou ao desenvolvimento científico nacional”. Além do líder indígena, também foi eleito para a ABC o professor e cientistas político Abílio Baeta Neves, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O escritor e xamã Davi Kopenawa Yanomami © Reuters

A cerimônia de posse acontecerá no dia 01 de janeiro, quando os novos membros serão diplomados em Reunião Magna que acontecerá virtualmente por conta da pandemia – a configuração do evento, que normalmente inclui simpósios científicos, ainda não foi totalmente definida pela organização. Kopenawa é autor, junto do antropólogo Bruce Albert, do livro A Queda do Céu: palavras de um xamã Yanomami, realizado como uma espécie de relato autobiográfico e manifesto xamânico contra a destruição da floresta amazônica e pela manutenção das vidas indígenas e das sabedorias nativas ancestrais.

Nascido no Alto Rio Toototobi, no Amazônas, recentemente Kopenawa também foi premiado pelo Right Livelihood Award, uma espécie de “Nobel alternativo” estabelecido em 1980 pelo pelo filantropo alemão Jakob von Uexkull para “honrar e apoiar aqueles que oferecem práticas e respostas exemplares às questões mais urgentes enfrentadas na atualidade”. Além do mais novo membro da ABC, foram também reconhecido pelo prêmio a ativista Greta Thunberg, a defensora dos direitos humanos Aminatou Haidar e a advogada chinesa Guo Jianmei.

Ilustração mostrando os vencedores do prêmio © divulgação

Segundo o júri do prêmio,  a escolha de Kopenawa se deu por sua “corajosa determinação em proteger as florestas e a biodiversidade da Amazônia, e as terras e a cultura de seus povos indígenas”.

Kopenawa na FLIP © Wikimedia Commons

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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