Debate

Denúncias de racismo, assédio e beijo à força atingem açougueiro ‘influencer’ e gerência de restaurante badalado

por: Karol Gomes

Ex-funcionárias do restaurante Quintal de Betti denunciaram por assédio sexual, moral e racismo os gerentes da casa, bem como o proprietário Rogério Betti, açougueiro ‘influencer‘ e ex-jurado de um reality show de culinária do SBT. Diante das acusações, outras pessoas que trabalharam no estabelecimento procuraram a reportagem do Universa para relatar mais episódios vivenciados na empresa.

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A antiga cozinheira do Quintal de Betti diz que foi beijada na boca, sem consentimento, por um gerente. Ela revela que recorreu aos superiores do agressor e afirma que nenhuma providência foi tomada. “Eu estava subindo a rampa e o Maradona me deu um selinho. Assim, do nada. Na hora eu fiquei sem reação. Foi muito estranho na hora. Depois relatei tudo para o chefe dele e nada foi feito”, contou ao Universa dizendo que os assédios nunca ocorreram na cozinha e sim no salão. A cozinheira pontua que precisou mudar de cidade e fazer terapia, após sair do restaurante.

Maradona, que se chama José Arceno, diz o Universa, já não trabalha no restaurante. A reportagem do portal obteve um áudio em que outra funcionária do Quintal de Betti conta que foi beijada sem consentimento.

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Rogério Betti, dono do restaurante, ainda não se manifestou

Beijo à força 

Quatro ex-empregados do local ouvidos pelo portal confirmaram que o dono do restaurante, Rogério Betti, que também é citado nas acusações, não só foi conivente com os abusos promovidos por seus gerentes, como também chegou a ficar com funcionárias dentro do casarão anexo ao restaurante. O espaço usado também como local de descanso, despensa e vestiário, era chamado de ‘abatedouro’ pelos próprios chefes e usado para atos sexuais, diz a matéria.

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Teve mais, um outra pessoa que trabalhou no Quintal de Betti relata que já ficou trancada no tal ‘abatedouro’ por um gerente, mas por pouco tempo. Ela conta que chegou achar que se tratava de uma brincadeira.

“Fui no estoque, ele foi atrás e trancou a porta. Ele não fez nada, mas chamou os meninos para verem. Eu não entendi, na época eu não sabia que usavam lá dentro para isso. Fui saber numa reunião em que chamaram todo mundo e falaram que não era para usar lá dentro como motel. Nesse dia que eu fui entender o que tinha acontecido, que tinha pessoas que ficavam lá dentro”.

O Quintal de Betti responde a 18 processos na Justiça do Trabalho, incluindo denúncias de assédio sexual e racismo. Segundo antigos trabalhadores da casa, o assédio sexual é enraizado na cultura da empresa e, apesar de a acusação ser direcionada aos gerentes, eles consideram que houve conivência dos patrões, já que as denúncias eram ignoradas.

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Quintal de Betti é alvo de denúncias de racismo e assédio sexual

“Amo negras. Negras são mais quentes”, “minha morena” e “que bocão você tem”. Esses eram os comentários direcionados à uma ex-funcionária, que alega ter sido vítima de assédio e racismo por parte de seu líder direto, assegurando ouvir essas tais afirmações diariamente no seu local de serviço. Ela ressalta que procurou o RH e a chefia, que, ainda segundo ela, não tomaram nenhuma medida e ainda a demitiram. A pessoa moveu uma ação contra o restaurante em junho e sua defesa pede uma indenização no valor de R$ 220 mil.

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O Quintal de Betti precisa responder também aos relatos de perseguição de um gerente contra uma garçonete que diz ter sido coagida a sair com o homem como condição para que fosse efetivada. A defesa dessa acusadora pede R$ 160 mil de indenização. O acordo, porém, ainda não avançou e os dois processos tiveram as audiências adiadas recentemente.

Rogério Betti, proprietário do estabelecimento, não quis comentar as acusações e manteve silêncio. Já o restaurante Quintal de Betti se manifestou nas redes sociais negando conivência com as situações relatadas. A casa pontua que tomou “providências imediatas, iniciando uma rigorosa apuração interna”.

Leia a íntegra abaixo: 

“Não somos, nem seremos coniventes com qualquer tipo de assédio ou desrespeito. Foram registradas duas denúncias graves de assédio sexual contra um ex-funcionário que estão sendo devidamente investigadas pela justiça e o acusado não faz mais parte do deBetti há meses, assim como os demais citados na matéria. Diferente do que foi informado, nossa liderança não concorda, não compactua e nunca agiu de maneira omissa em relação aos comportamentos relatados nesses casos. Tivemos conhecimento de ambos os processos judiciais e tomamos providências imediatas, iniciando uma rigorosa apuração interna.

Em respeito a todos os nossos clientes, admiradores, parceiros e mais de 300 colaboradores, esclarecemos que não procedem as alegações de que nossa empresa segue uma cultura do assédio, a gente não tolera e não vai tolerar atitudes assim. Temos muito o que evoluir e já estamos trabalhando para melhorar as nossas práticas a fim de coibir e denunciar casos de assédio. Elaboramos um código de ética e um manual de conduta, além de reforçar os treinamentos e criar um canal de denúncias totalmente anônimo e seguro. O deBetti nasceu há quatro anos com muita luta, aprendizado, honestidade e transparência, buscando oferecer o melhor para os nossos colaboradores, clientes e parceiros. Agradecemos mais uma oportunidade de esclarecimento”.

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Fotos: Reprodução/Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


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