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‘Jacaré de Hitler’, morto aos 84 anos, será exposto em museu na Rússia

por: Vitor Paiva

Capazes de viver tanto quanto um ser humano (e mesmo superar a casa dos 100 anos de idade), os jacarés podem ser, assim, verdadeiras testemunhas da história. Nenhum, porém, possui uma biografia tão impressionante quanto Saturn, jacaré que faleceu em maio de 2020, aos 84 anos, no Zoológico de Moscou, onde vivia desde 1946. O réptil havia sido resgatado em Berlim, após o fim da segunda guerra mundial, pelas tropas inglesas quando da ocupação da cidade com a queda do regime nazista – e é aqui que entra o mais incrível capítulo de sua história: Saturn possivelmente pertenceu ao próprio Führer. Ele seria o jacaré de Adolf Hitler.

Saturn ainda no Zoológico de Moscou © Moscow Zoo

O animal nasceu na natureza selvagem do estado do Mississippi, nos EUA, em 1936 e, ainda jovem, foi capturado e enviado para a capital alemã, para estrelar o Zoológico de Berlim antes da guerra começar, em 1939. A partir de 1943, quando a cidade passou a ser fortemente bombardeada durante o conflito, o paradeiro do “Jacaré de Hitler” tornou-se desconhecido até seu resgate pelas tropas inglesas, três anos depois.

© Moscow Zoo

Há quem diga que o animal sobreviveu no período vivendo em porões, becos e principalmente no esgoto da cidade; outros que ele se tornara parte da coleção de animais de uma influente autoridade nazista quando foi encontrado. Seja com for, o fato é que em 1946 o animal foi dado de presente ao Zoológico de Moscou – e foi aí que pesquisadores começaram a sugerir que Saturn também havia feito parte do zoológico particular de Hitler.

Taxidermista trabalhando na preservação do corpo do animal © State Darwin Museum

Não há até hoje confirmação oficial, mas sabe-se da admiração que o líder nazista tinha pelo animal antes do conflito começar, e diversos historiadores atestaram a veracidade do fato.

© State Darwin Museum

Ao longo dos anos, o jacaré se tornou uma grande atração local, e seu falecimento, aos 84 anos no último dia 22 de maio, foi anunciado com grande lamento pelo Zoológico de Moscou – e após seis meses de trabalho por parte dos taxidermistas, seu corpo foi enfim preservado e passará a fazer parte da coleção fixa do Museu Darwin, em Moscou. “Nenhum réptil do museu possui uma biografia tão rica”, afirmou a direção da instituição, em comunicado. “Ele era, sem exageros, uma lenda no zoológico, e foi testemunha de muita coisa ao longo de sua vida”.

© State Darwin Museum

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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