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Jovem negro foi executado por PMs com tiro no rosto: ‘Dois rapazes pretos não podem andar de moto?’

Karol Gomes - 15/12/2020

O jornal Extra acessou informações da investigação preliminar feita pela Delegacia de Homicídios (DH), da Baixada Fluminense, sobre as mortes de dois jovens após uma abordagem policial em Belford Roxo, no Rio de Janeiro. Nos casos de homicídio, peritos criminais compareceram ao local do crime e fizeram análises preliminares, inclusive sobre os ferimentos encontrados nas vítimas.

A análise feita pela Polícia Civil no local do crime constatou que um dos jovens mortos, Jhordan Luiz de Oliveira Natividade, de 17 anos, tinha orifícios na sobrancelha e na nuca, possivelmente, entrada e saída do mesmo disparo de arma de fogo. Já Edson de Souza Arguinez, de 20 anos, tinha três perfurações causadas por tiros, uma nas costas e duas na barriga.

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Jovens negros assassinados por andarem de moto 

Jhordan e Edson estavam em uma moto quando foram abordados pelos PMs no bairro Vila Mercedes, em Belford Roxo, por volta de 1h de sábado (12). Imagens de câmeras de segurança mostram que os rapazes caem da moto após passaram por um policial suspeito de atirar neles. Os PMs alegaram, em depoimento, que liberaram os jovens, sem levá-los à delegacia, após constatar que a moto estava em situação regular e os amigos não levavam consigo nenhum material ilícito. Edson e Jhordan foram encontrados mortos por parentes na tarde de sábado (12), a cerca de 8km do local da abordagem.

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A DH aguarda agora a produção do laudo de necropsia feito no Instituto Médico Legal, que apontará a causa da morte dos rapazes e as perfurações causadas por tiros encontradas em seus corpos. A Polícia Civil ainda tenta remontar os momentos que antecederam o assassinato dos dois jovens na madrugada do último sábado, após uma abordagem policial violenta, em que os rapazes foram agredidos. 

Para tentar esclarecer alguns mistérios que ainda cercam o caso, o cabo Julio Cesar Ferreira dos Santos e o soldado Jorge Luiz Custódio da Costa, que estão presos suspeitos do crime, serão novamente ouvidos por investigadores da DH. Um dos pontos que os PMs terão que explicar é o exato percurso que fizeram após terem saído do local da abordagem dos amigos, na Rua Margem Esquerda, no bairro Vila Mercedes. As vítimas estavam em uma moto e aparentemente esta foi a única motivação para pará-los. 

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A determinação para um novo depoimento foi feito pelo delegado Uriel Alcântara, titular da DHBF e responsável pelas investigações. Ainda não foi marcada nova data para os policiais serem ouvidos. Em seus primeiros depoimentos, os militares alegaram que liberaram os rapazes logo após ambos terem sido colocados na viatura. A DH, no entanto, não acredita nessa versão. A suspeita é de que os jovens tenham sido mantidos no carro, sendo executados em seguida, ou que tenham sido liberados e mortos posteriormente por terceiros, a mando dos PMs.

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Nessa segunda-feira, Uriel Alcântara ainda solicitou ao comando do 39º BPM (Belford Roxo), onde os policiais eram lotados, informação sobre o percurso feito pela viatura dos PMs na madrugada do crime. Ele pede também informações sobre o procedimento que deve ser adotado pelos PMs ao saírem de seu local de patrulhamento. 

Em depoimento à DH a dupla admitiu que deixou a área para ir até o Hospital Municipal de Belford Roxo, onde a mãe do soldado Custódio teria sido atendida após passar mal. Na volta, disseram ter abordado um carro em “atitude suspeita” e, pouco depois, Edson e Jhordan.

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Fotos: Reprodução/Twitter


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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