Futuro

Maconha deixa lista de drogas mais perigosas da ONU em tendência de controle mais brando

Redação Hypeness - 03/12/2020

A Comissão de Drogas Narcóticas das Nações Unidas aprovou, na última quarta-feira (2), uma reclassificação da maconha em sua lista de drogas perigosas. Antes registrada ao lado da heroína, a substância ainda é considerada uma droga pesada, entretanto, o novo lugar da maconha a coloca com potencial menos danoso e pode influenciar diversos países a adotarem novas políticas sobre a cannabis.

– Maconha medicinal para uso próprio é legalizada na Argentina; veja diferenças com Brasil

Nova decisão da ONU pode não alterar políticas publicas nesse momento, mas representa largo passo para legalização em nível mundial

Hoje legalizada em diversos países da Europa, alguns estados dos EUA, no Canadá e no Uruguai, agora a droga está junto da morfina na lista da ONU. Genebra ainda recomenda que os países controlem e desencorajem o uso da substância, mas reconhece que ela pode ter benefícios terapêuticos, como a morfina.

– Enquanto Anvisa não se decide, o mercado bilionário do Cannabusiness se organiza

O texto da antiga classificação dizia que a maconha era “particularmente suscetíveis a abusos e à produção de efeitos danosos” e “sem capacidade de produzir vantagens terapêuticas”. A mudança da classificação não obriga os países a legalizarem ou reclassificarem a droga, mas facilita a argumentação em políticas de legalização e pode indicar um novo caminho para agências regulatórias observarem a erva.

O voto do Brasil na ONU

A votação pela mudança classificatória na Organização das Nações Unidas não foi unânime. Pelo contrário, foram 27 países a favor, 25 contra e apenas uma abstenção (Ucrânia). O Brasil se posicionou contra a mudança e se alinhou com países como Rússia, Bahrein e Turcomenistão, mostrando a nova postura conservadora do país no nível internacional.

– Brasil e Arábia Saudita vetam educação sexual para combater violência contra meninas

Com derrota de Donald J. Trump nos EUA, Bolsonaro tem se aproximado de Vladimir Putin, que recentemente elogiou a “virilidade” (?) do presidente brasileiro.

Psiquiatra e professor da Unicamp, Luis Fernando Tófoli utilizou o Twitter para apontar que a postura do governo – que prometeu o voto contra a mudança por conta do ‘socialismo’ e da ‘esquerda‘ – está mais alinhada com uma posição moralista do que com uma necessidade ideológica.

“Olhando com cuidado, nota-se que além de Chile, Peru e Japão, praticamente todos os países que votaram contra são países comunistas, democracias frágeis da África ou da Ásia, ou países com governos com viés autoritário, como Hungria, Rússia ou Turquia. Não é direita x esquerda”, afirmou Tófoli.

– Conheça os primeiros indígenas autorizados a produzir maconha medicinal

“O ponto aqui é quanto a política de drogas deste país está sintonizada com a liberdade e o Ocidente. Na hora H – como em outros temas de direitos humanos – o governo do Brasil se alinha com ditaduras e países com democracias frágeis. Este é só o lado psiquiátrico dessa história”, disse o especialista.

Veja a thread de Tófoli no Twitter:

Publicidade

Fotos: © Getty Images


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.