Debate

Marcelo Crivella e 5 governadores foram presos em menos de 4 anos no RJ

Yuri Ferreira - 22/12/2020

O atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, (Republicanos-RJ) foi preso na manhã desta terça-feira (22) pela Polícia Civil e o Ministério Público do RJ. Ele está sendo investigado pela ‘Operação Hades’, que apura a existência de um ‘Quartel General da Propina’ na gestão do pastor evangélico e político.

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Crivella foi detido na manhã dessa terça-feira a menos de 10 dias de conclusão do seu mandato de prefeito do Rio de Janeiro

Governadores e prefeitos presos 

Agora, Crivella se torna o primeiro prefeito a se somar aos ex-governadores Moreira Franco, Luiz Fernando Pezão, Anthony Garotinho, Rosa Garotinho e Sérgio Cabral e entra no hall de políticos da elite carioca que acabaram atrás das grades pelo menos uma vez nos últimos quatro anos. Wilson Witzel, afastado do cargo, é investigado pela ‘Operaão Placebo’ por suspeita de desvios na saúde durante a pandemia do novo coronavírus.

Outros mandados de prisão também foram cumpridos contra Rafael Alves, empresário, Fernando Moraes, delegado aposentado, Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha do prefeito, Adenor Gonçalves dos Santos, empresário e Cristiano Stockler Campos, também empresário.

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Veja o momento da prisão de Crivella:

O suposto QG da Propina na gestão Crivella seria operado por Rafael Alves. Ele não tinha cargo na Prefeitura, mas foi o principal coordenador de doações de empresas e pessoas físicas para as campanhas do ex-prefeito. Seu irmão, Marcelo Alves, era o presidente da Riotur, empresa pública de turismo do município, e os desvios de verba seriam feitos através da empresa. Rafael era um homem forte do prefeito. As denúncias foram feitas pelo doleiro Sérgio Mizrahy em um desdobramento da Operação Lava Jato.

Rafael Alves é apontado pelo MP como operador de suposto quartel general de propinas dentro da gestão de Marcelo Crivella

Conversas obtidas pelo Ministério Público mostram Rafael e Mizrahy discutindo a entrega de 22 mil reais obtidos em propina para o ‘zero um’. Segundo o MP, ‘zero um’ seria uma referência ao próprio Marcelo Crivella. Caso comprovada a acusação, Crivella seria um beneficiário ativo do suposto esquema de corrupção em sua gestão.

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O ex-senador Eduardo Lopes (Republicanos) também tinha mandado de prisão, mas não teve domicílio encontrado no Rio de Janeiro. Ele se mudou recentemente para Belém, capital do Pará, e deverá se apresentar à polícia do estado para que não seja declarado foragido.

Todos os passarão por uma audiência às 15h para avaliação de custódia no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, conforme determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin desta manhã.

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A 9 dias de completar seu mandato no Rio de Janeiro, Crivella afirma que está sofrendo perseguição política e ainda disse que foi o gestor que mais lutou contra a corrupção: “tirei recursos do carnaval, negociei o VLT, fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro”, disse.

Como o vice-prefeito de Crivella Fernando McDowell faleceu em 2018, quem assume a chefia do executivo carioca é o presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (DEM), do mesmo partido que Eduardo Paes, prefeito eleito da capital fluminense.

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Fotos: Reprodução/TV Globo


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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