Debate

Médicos Sem Fronteiras são acusados de racismo institucional e supremacismo branco

Redação Hypeness - 18/12/2020

Um grupo de mais de mil funcionários e ex-funcionários emitiu uma carta condenando as estruturas de racismo institucional e supremacismo branco dentro do Médicos Sem Fronteiras, organização sem fins lucrativos que promove cuidados de medicina a regiões afetadas por epidemias ou catástrofes humanitárias.

Tudo começou após um memorando do Médicos sem Fronteiras da Itália que recomendava aos seus funcionários evitar o uso do termo “racismo” e pedindo que utilizassem “todas as vidas importam” ao invés do “vidas negras importam”.

– Pais negros ensinam seus filhos a lidar com a polícia em vídeo poderoso que alerta pra força do racismo institucional

Crise no MsF: estruturas coloniais dentro de organização humanitária são apontadas por funcionários

Então, ex-funcionários e atuais colaboradores do MsF decidiram se movimentar para criar um movimento denunciando a estrutura do racismo na organização. Segundo a carta assinada por mais de mil pessoas ligadas à entidade, o Médicos Sem Fronteiras reforça estruturas racistas e coloniais em seu modelo organizacional.

Assinam o documento diversas lideranças da organização, como Javid Abdelmoneim, chefe do conselho do MsF do Reino Unido, Agnes Musonda, presidenta do conselho nas regiões do sul do continente africano, e Florian Westphal, diretora administrativa do MsF na Alemanha.

– Príncipe Harry se desculpa por ‘racismo endêmico’ e se coloca como parte do problema

Vale lembrar que a equipe do MsF conta com mais de 65000 pessoas trabalhando ao redor do mundo todo. Mais de 90% dos profissionais – enfermeiros, médicos, assistentes de logística, etc. – contratados pela ONG são das regiões afetadas. Entretanto, a maioria dos postos de poder dentro da instituição são ocupados por europeus. 

Claudia Lodesani é a presidente do MsF Itália, que recomendou membros da organização a não utilizarem o termo ‘racismo’

São 5 centros de operação do MsF localizados na Europa e apenas um localizado no terceiro mundo. O centro foi aberto no ano passado, em Senegal.

“Esse momento de reconhecimento é importante, mas incrivelmente tardio. O real trabalho que precisa ser feito vai além da carta; é necessário reformar as estruturas de poder que tem machucado minorias e esse é um trabalho que poucos querem fazer nessa organização”, afirmou Shaista Aziz, ex-funcionária da organização ao The Guardian.

– O que as colonizações tem a ver com os atentados terroristas na França

A direção do MsF, presidida por Christos Christou, afirmou que entende a carta e as críticas como um “catalisador” para mudanças na estrutura da organização que já eram previstas anteriormente e serão colocadas em prática o mais rápido possível.

Publicidade

Fotos: © Getty Images


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.