Debate

Monteiro Lobato tem obra relançada sem trechos racistas e bisneta é alvo do governo federal

Redação Hypeness - 23/12/2020

A bisneta de Monteiro Lobato, Cleo Monteiro Lobato, decidiu relançar o clássico “A Menina do Narizinho Arrebitado” sem os trechos racistas da obra. A decisão foi bem recepcionada por setores do movimento negro, mas adivinha quem não gostou? Isso mesmo, o governo federal. O Secretário Especial de Cultura Mário Frias e o Presidente da Fundação Palmares Sérgio Camargo utilizaram o Twitter para choramingar sobre a mudança.

– Como Monteiro Lobato alimentou racismo segundo contador de histórias do povo negro no Twitter

Monteiro Lobato era declaradamente racista e eugenista; Sérgio Camargo e Mário Frias defendem estado original das obras do autor

O trecho retirado foi, na verdade, bem pequeno. Em dado momento, o narrador disse que Tia Nastácia, personagem negra no mundo de Lobato, “trepou que nem uma macaca de carvão”. Prejudicou a história? Alterou a narrativa? Não. Só tirou o desnecessário racismo.

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“A gente queria uma versão atualizada, cujo teor fosse compatível com os valores sociais contemporâneos, mas que mantivesse o estilo do Lobato”, explicou Cleo à Folha. “Nós não a desvirtuamos, porque a original continua lá, existindo e disponível. Se eu tenho a possibilidade de me posicionar de maneira positiva, eu escolho a mudança”, completou.

Claro que isso serviu de escândalo para os membros do governo Bolsonaro. O ex-galã da Malhação Mário Frias utilizou o Twitter para reclamar da edição do trecho:

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares que chamou Zumbi dos Palmares de ‘filho da p*ta’, afirmou que denunciar o racismo presente nas obras de Monteiro Lobato é comprar ideias da branquitude marxista e vitimismo.

– Sérgio Camargo, da Fundação Palmares, é notificado pelo MPF após selo negando o racismo

Vale lembrar que a discussão é longa: há uma ação no STF que pede a remoção do livro ‘Caçadas de Pedrinho’ de todas as escolas públicas do Brasil. Isso porque o texto está completamente imbuído de declarações racistas.

Lobato era declaradamente eugenista e passou anos tentando publicar um livro nos EUA que promoveria uma esterilização em massa dos afrodescendentes. “Do ponto de vista da construção da obra, é surpreendente como Lobato se instrumentaliza das ideias eugenistas, das quais ele era um entusiasta confesso. Mas ele tinha plena clareza que a literatura era uma forma sutil, indireta e eficiente de promover a eugenia”, contou a historiadora Lucilene Reginaldo, professora de Estudos Africanos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), à BBC.

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Fotos: Reprodução/Twitter


Redação Hypeness
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