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‘Professor Pardal’ dos sintetizadores, brasileiro criou instrumento até para Hans Zimmer

por: Veronica Raner

“Se for para fazer bem feito, faça você mesmo”. A máxima popular é quase um resumo do projeto pessoal de Arthur JolyColecionador de sintetizadores, há nove anos o produtor musical decidiu fabricar seus próprios modelos. Apesar de ter um acervo grande já naquela época, ainda faltavam a Joly exemplares de sintetizadores modulares – “que são aqueles que têm cabo para fora e parecem estações telefônicas”, ele explica. A dificuldade para comprar os equipamentos ou importá-los para o Brasil levou o também músico a procurar por sites de DIY (sigla, do inglês, “do it yourself”, “faça você mesmo”), onde aprendeu a produzir os próprios instrumentos. Pegou tanto gosto pela coisa que um de seus modelos foi parar nas mãos do compositor alemão Hans Zimmer, vencedor do Oscar por “O Rei Leão” e indicado outras nove vezes pela Academia.

Sintetizadores são instrumentos eletrônicos capazes de gerar sinais elétricos que são convertidos em sons. A mais recente fabricação de Joly é um exemplar que utiliza de qualquer tipo de luz, inclusive a solar, para fazer sua mágica acontecer. Chamado de “Fotosyntese”, o equipamento desenvolvido por Joly já diz tudo: é um trocadilho com o instrumento e o processo de produção de energia feito por plantas. A máquina foi desenvolvida pelo paulistano como um item de colecionador, a partir de financiamento coletivo. Sua dedicação tem por objetivo democratizar o acesso aos sintetizadores. Joly acredita que, no Brasil, poucas pessoas têm poder de compra para adquirir um produto do tipo, que não costuma custar menos de R$ 1.500,00. A ideia é iniciar novas campanhas com diferentes modelos de sintetizadores artesanais colecionáveis a cada bimestre.

“O grande charme do Fotosyntese é a sensibilidade à luz. Se você liga ele no escuro e fica passando uma lanterninha, ele reage. O próximo projeto será um instrumento usado em sound systems de reggae, quando os músicos montam umas ‘caixonas de som’. Depois eu vou lançar um rítmico, de percussão, mais sequenciado”, conta ele sobre suas criações.

De 2009 para cá, Arthur Joly conseguiu desenvolver habilidades que vão desde a solda até a parte de criação de circuitos elétricos, sempre prezando pela boa aparência do produto. A “carcaça” – como chama – ele aprendeu a fazer na internet. Os botões, comprava no eBay, assim como as lâmpadas.O hobby foi virando um grande vício e, depois, trabalho. “Eu acabava um e já queria fazer outro. Hoje em dia eu desenvolvo esses projetos autorais mantendo um pouco da ideia inicial que é fazer os instrumentos para mim e para as pessoas que tem essa mesma paixão que eu tenho.”

Criei algo diferente de tudo o que ele (Hans) poderia ter. Daí surgiu esse sequencer. Eu fiz com umas luzes grandes, coloquei em uma caixinha e escrevi o nome dele. Até onde eu sei, ele adorou.

Além de Professor Pardal dos sintetizadores, Joly é técnico de masterização e trabalha também com discos de vinil. Segundo ele, seu estúdio é o único no Brasil que faz matrizes em vinil hoje em dia. “Do mesmo jeito que eu fiz os sintetizadores, eu reformei um torno da década de 1950 e aí eu faço matrizes de vinil no estúdio. Quando eu vou para casa, faço os sintetizadores”, fala sobre o dia a dia profissional.

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Fotos de destaque: Reprodução / YouTube


Veronica Raner
Jornalista em formação desde os sete anos (quando criou um "programa de entrevistas" gravado pelo irmão em casa). Graduada pela UFRJ, em 2013, passou quatro anos em O Globo antes de sair para realizar o sonho de trabalhar com música no Reverb. Em constante desconstrução, se interessa especialmente por cultura, política e comportamento. Ama karaokês, filmes ruins, séries bagaceiras, videogame e jogos de tabuleiro. No Hypeness desde 2020.

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