Ciência

Reino Unido e Turquia iniciam vacinação contra covid-19 semana que vem. Qual o plano do Brasil?

por: Redação Hypeness

A vacina contra a covid-19, produzida pela Pfizer e BioNTech, foi aprovada no Reino Unido e a imunização em massa começa na próxima semana. O anúncio foi feito na manhã de quarta-feira (2) pelo ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, que classificou a notícia como ‘fantástica‘.

Para o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que chegou a ficar na UTI ao contrair o coronavírus, a aprovação da vacina vai resgatar vidas e a economia do país – que tem 59.148 mortes pela covid-19, o maior número da Europa. “É a proteção das vacinas que vai finalmente nos trazer de volta às nossas vidas e fazer a economia andar novamente”, escreveu o premiê britânico em seu perfil no Twitter.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson anuciando o início da vacinação no Reino Unido

Ainda em 2020, um primeiro lote com 10 milhões de doses será disponibilizado pelo NHS – serviço público de saúde britânico -, e os profissionais da saúde deverão estar entre os primeiros a serem vacinados, assim como idosos e pessoas vivendo em casas de repouso, incluindo funcionários. Devido às suas condições de armazenamento, a vacina deve ser mantida a -70°C – as campanhas de vacinação serão feitas em hospitais.

Além dos britânicos, a Turquia anunciou que pretende iniciar o processo de vacinação já no próximo dia 11 de dezembro. O governo fechou acordo para a compra de 20 milhões de dozes para dezembro junto ao laborário chinês Sinovac, produtor da Coronavac.

O ministro da Saúde da Turquia, Fahrettin Koca, ressaltou que a expectativca é que 25 dos 82 milhões de habitantes do país sejam imunizados já no último mês de 2020. A Coronavac está na terceira fase de testes em humanos e o governo de São Paulo possui acordo fechado com o laboratório para a o recebimento imunizantes.

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E no Brasil, qual o plano? 

Com mais de 170 mil mortos, o Brasil vive um drama no que diz respeito ao plano de vacinação. Pressionado pelos avanços em outros países do mundo, o Ministério da Saúde se manifestou na terça-feira (1) sobre os próximos passos para a imunização. O ministério comandado por Eduardo Pazuello anunciou que vacinas que exigam baixissímas temperaturas de armazenamento, caso da aprovada no Reino Unido, não serão utilizadas no país.

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A vacina da Pfizer/BioNTech é uma das quatro que estão sendo testadas no Brasil, que ainda não fez acordo para adquirir doses do medicamento. Mesmo assim, executivos da Pfizer estiveram com membros do governo federal em meados de novembro para, segundo o Ministério da Saúde, “conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento oferecidas pelo laboratório”.

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De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, o governo Bolsonaro quer um imunizante que possa ser armazenado em temperaturas de 2ºC a 8ºC, pois essa é a temperatura da rede de frio usada no sistema de vacinação brasileiro.

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Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, em entrevista à GloboNews, a aprovação vinda do Reino Unido é um marco na história do desenvolvimento de vacinas, pois é a primeira do tipo genético a entrar no mercado.

Ele, porém, reconheceu que tanto o armazenamento quanto o transporte do imunizante ainda são desafios.“Uma das limitações é o transporte, por conta do congelamento, mas o fabricante tem estudado alternativas, com gelo seco, em que ela pode ficar fora de freezers por até 15 dias”, disse ele, apontando ainda que o preço também pode ser um impeditivo para a aplicação em massa no Brasil – ele estima que a vacina da Pfizer seja até cinco vezes mais cara que a de Oxford, que será produzida em solo brasileiro pela Fiocruz.

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A Pfizer e BioNTech anunciaram, no início de novembro, que sua vacina candidata tem eficácia de 95% na prevenção da covid-19, segundo dados iniciais do estudo da terceira e última fase de testes, que ainda não foram publicados em revista científica. Na prática, se uma vacina tem 95% de eficácia, isso significa dizer que 95% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença.

Conforme informações da Pfizer, está prevista a produção até 50 milhões de doses de vacina em 2020 para todo o mundo, e 1,3 bilhão de doses até o final de 2021. Em julho, os Estados Unidos fecharam acordo com os laboratórios para comprar 100 milhões de doses ainda 2020. O governo norte-americano desembolsou US$ 1,95 bilhão (cerca de R$ 10,1 bilhões).

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Na terça-feira (1), a Pfizer pediu autorização para uso de sua vacina contra a covid-19 na Europa. A decisão deve sair até 29 de dezembro.

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Brasil anuncia as quatro fases de vacinação

O Ministério da Saúde anunciou, por meio de nota nesta terça-feira (1), que a vacinação em todo o território ncional ocorrerá em quatro fases. A pasta determinou que profissionais da saúde, idosos a partir de 75 anos, população indígena e quem tem mais de 60 anos e vive em asilos ou instituições psiquiátricas serão os primeiros imunizados contra a covid-19.

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O ministro Pazuello, no entanto, ainda precisa divulgar oficialmente a data de início do processo de imunização, que pode começar ente maio e junho de 2021. A proteção se dará com duas doses, como consta em acordos do governo federal brasileiro que origiram parceria entre a Fiocruz, Universidade de Oxford e AstrZeneca e ainda através da aliança Covax Facility – um pool criado para acelerar o desenvolvimento e distribuição dos primeiros imunizantes comprovadamente eficazes (hoje, existem nove candidatas a vacina listada na aliança).

Saiba quais são as quatro fases da vacina no Brasil:

  • Primeira fase
    Profissionais da saúde, idosos a partir de 75 anos, população indígena e quem tem mais de 60 anos e vive em asilos ou instituições psiquiátricas
  • Segunda fase
    Pessoas de de 60 a 74 anos
  • Terceira fase
    Pessoas com doenças que elevam o risco de agravamento da Covid-19, como as doenças cardiovasculares
  • Quarta fase
    Professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade.

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Fotos: Getty Images


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