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Robinho proibiu amigo de conversar com vítima pelo Facebook: ‘Os caras estão investigando’

por: Karol Gomes

Novas transições de áudios mostram o atacante Robinho preocupado ao saber que um de seus amigos estava conversando pelo Facebook com a mulher que o acusa de estupro, na Itália. O documento foi obtido com exclusividade pelo UOL Esporte.

Um ano depois do crime que aconteceu em uma boate de Milão, Robinho telefonou a um dos amigos que estava no Brasil e relatou que a vítima havia descoberto o nome de todos os envolvidos no ato. Ela teria então passado as informações à polícia, que tentava interrogá-los. A conversa foi gravada com autorização judicial.

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Robinho teve o contrato suspenso pelo Santos

Robinho: ‘Os caras estão investigando’

A transcrição foi anexada ao processo pela defesa do atacante, que alegou erros de tradução da língua portuguesa para a italiana. No documento, constam a transcrição do áudio original e uma tradução para o italiano, feita pelo tradutor Adriano Lellis Gaiotto.

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Um dia depois do encontro na boate, a mulher, que comemorava seu aniversário de 23 anos, passou a conversar com ao menos dois amigos de Robinho pelo Facebook. Os amigos tentavam convencê-la de que a relação sexual havia sido consensual, embora a vítima insistisse que estava muito alcoolizada para dar consentimento.

Através de tecnologias de geolocalização, a polícia descobriu que, enquanto conversava com a vítima, um dos amigos estava na rua em que Robinho morava na Itália. Quando as investigações chegaram mais perto de si, Robinho se mostrou irritado com o bate-papo. 

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“Eu falei ‘Cara! Se esse bagulho sair na imprensa vai me foder”, ele disse a um dos amigos e alertou ainda: “Os caras estão investigando”

O jogador e o amigo Ricardo Falco foram condenados em segunda instância, na última quinta-feira (10), a nove anos de prisão por violência sexual coletiva. O crime teria acontecido em 2013, em uma boate de Milão. Na época, ele atuava pelo Milan. 

Sua defesa afirmou que vai recorrer à terceira e última instância. Contratado pelo Santos, Robinho aguarda a resolução do caso em liberdade, no Brasil.

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A polícia, o Ministério Público e a Justiça consideraram “auto incriminatórias” as conversas gravadas entre Robinho e seus amigos. Ao lado do depoimento da vítima e de testemunhas presentes na boate, as transcrições, traduzidas para o italiano, foram as principais provas produzidas pelas investigações.

Robinho e seus advogados têm argumentado que elas foram tiradas de contexto ou mal traduzidas. O jogador sustenta que recebeu sexo oral de maneira consensual, que não fez sexo com penetração e que, portanto, não praticou o crime de estupro.

A publicação das conversas privadas do jogador, em outubro, causou uma onda de indignação e levou patrocinadores a pressionarem o Santos. O clube resolveu suspender o contrato com o atacante, até que o caso tenha um desfecho.

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Foto: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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