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Rock in Rio 1985: Leoni lembra ‘remoção’ de baterista do Kid Abelha que não queria sair do palco, público eufórico e momento pessoal ‘me deixa’

por: Redação Hypeness

Julio Gamarra acreditava que o Rock in Rio de 1985 era a grande chance de se consagrar como músico. Baterista do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens no festival, o artista peruano esperava que os shows fizessem dele uma estrela. É o que conta Leoni, baixista do grupo naquela época. “No segundo dia, que tudo foi bem, quando acabou o show, ele começou um solo de bateria. A gente saiu e quando viu ele estava lá, sozinho, fazendo um solo”, lembra. Coube a ele e a Paula Toller fazerem o resgate de Julio. “A Paula tinha uma capa no figurino, nós entramos com ela, colocamos nele, e levantamos ele no banquinho mesmo para fora do palco. Parecia que era encenação, mas era tipo: ‘caralho, o que que aconteceu?’”, se diverte Leoni (assista ao momento no vídeo abaixo, a partir da 35:46)

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Leoni tocando no palco do Rock in Rio em 1985.

O Kid Abelha se apresentou no festival no dia 15 e no dia 18 de janeiro, dois shows que, assim como aconteceu com o Barão Vermelho, foram bastante diferentes um do outro. No primeiro dia, a lama que marcou aquela edição deixou um gosto um pouco amargo na memória do grupo. “O pessoal enchia copo descartável de terra e lama e jogava no palco. A gente foi muito hostilizado pelas pessoas que estavam na frente, mas a gente via o pessoal que estava atrás dançando e se divertindo”, conta o músico.

O show ficou marcado na história como o primeiro da redemocratização. Tancredo Neves havia sido eleito presidente da República via colégio eleitoral naquele mesmo dia e, para celebrar, a banda entrou no palco atrás de uma grande bandeira nacional. A ovação por parte do público foi imediata: “Brasil, Brasil!”, gritava a plateia. “As pessoas estavam muito felizes. Era um momento importante, apesar de não ter sido um presidente eleito pelo voto direto, mas pelo menos Tancredo tinha ganhado do Maluf, que era o candidato dos militares. Não havia polarização naquele momento, era todo mundo favorável à democracia — e a gente sentiu que tinha essa euforia do público”, diz.

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Para Leoni, o Rock in Rio de 1985 foi importante para consolidar o Kid Abelha como uma das maiores bandas do país. No ano anterior, o disco “Seu Espião” já havia estourado com faixas como “Como Eu Quero”, “Por Que Não Eu?”, “Alice (Não Me Escreva Aquela Carta De Amor)” e “Fixação”. “A gente estava muito nervoso com a estrutura de tudo e a possibilidade de algo não funcionar. A gente teve que se adaptar a aquele palco, era algo que não era normal por aqui. Chamamos figurinista, gente para fazer cenário. Só depois do Rock in Rio foi que a gente passou a ter cenário sempre e passou a se preocupar mais com essas coisas”, pondera.

A preparação para o repertório do show foi, de certa forma, uma tarefa fácil. A única dúvida da banda era se tocariam músicas do álbum que seria lançado naquele ano, “Educação Sentimental”. “A gente ficou na dúvida se botava música nova ou não e eu acho que a gente acabou colocando uma, ‘Lágrimas E Chuva’. Mas o primeiro disco estava muito tranquilo para a gente, estávamos direto fazendo muitos shows.”

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Se no primeiro dia houve parte dos metaleiros que não recebeu bem a banda, no segundo, tudo correu bem. Para Leoni, um dos melhores momentos da apresentação foi quando percebeu que o público estava cantando junto. O encantamento fez Leoni parar de tocar, quase sendo chamado atenção pelos companheiros de banda. “A gente tinha feito uma escadaria que tinha o nosso logo e quatro metros de altura. Eu mandei fazer um cabo de 15 metros para poder circular por aquele palco grande e eu subi nessa escadaria. Na hora de ‘Como Eu Quero’, quando eu vi a galera toda cantando, eu parei de tocar e fiquei só assistindo o público. Quando eu vejo, está todo mundo (da banda) me olhando tipo ‘toca!’. Eu fiquei maravilhado ali.”

 

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Fotos: Reprodução/YouTube


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