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‘The Stonewall Celebration Concert’: conheça a história do álbum de Renato Russo, marco do movimento LGBTQ+ no Brasil

Veronica Raner - 21/12/2020 | Atualizada em - 04/01/2021

O propósito era esse: levar uma mensagem de amor. O disco é um disco de amor.” É assim que Carlos Trilha descreve o álbum “The Stonewall Celebration Concert“, lançado em 1994 como primeiro trabalho solo de Renato Russo. Músico e produtor musical do projeto, foi Carlos quem ajudou o líder da Legião Urbana a tirar as 21 faixas do papel (do que a princípio seria apenas um show). O nome escolhido é uma homenagem à série de manifestações que deram início ao movimento LGBTQ+, em 28 de junho de 1969, nos EUA. Foi nesta data, há 50 anos, que frequentadores do bar Stonewall Inn, em Nova York, se revoltaram após uma violenta e arbitrária invasão policial no local. E é esse marco histórico que faz de junho o Mês do Orgulho LGBT.

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Renato tinha um ritmo próprio, acelerado, metódico e cheio de referências.

O disco de Renato Russo foi importantíssimo para divulgar a rebelião de Stonewall no Brasil, em um tempo em que a militância pelos “direitos dos gays” (como era conhecida então) no país tinha bem menos visibilidade e apenas uma tímida conexão com movimentos internacionais. Para Trilha, pessoalmente, serviu como plataforma para apresentar seu trabalho no mundo artístico. “Nunca ninguém me valorizou tanto como o Renato. Ele fez questão de me mostrar para o mundo. Eu o vi falando para o Egeu Laus (artista gráfico, que fez a capa do “Stonewall”): ‘Olha, eu quero que as pessoas abram o disco e vejam esse carinha aqui, que fez tudo’”, conta. “Justo, porque fui eu que fiz tudo mesmo”, completa, aos risos.

O produtor era responsável pela parte musical do álbum, a partir das referências estéticas e sonoras trazidas por Renato. “Eu tinha esse conhecimento técnico, realizava as ideias dele todas, mas não tinha cultura; quem carregava a cultura era ele”, diz Carlos, que se esforçava para assimilar a quantidade imensa de livros, álbuns e referências indicadas. “Ele era assim: pá, pum. Me dava um livro de presente e no dia seguinte vinha me perguntar o que eu tinha achado.

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Capa do álbum “The Stonewall Celebration Concert”, lançado em 1994 e quase desconhecido pelo grande público.

Apesar de não tão conhecido pelo grande público como os hits da Legião Urbana ou mesmo o material do segundo disco de Renato, “Equilíbrio Distante”, gravado em italiano, o repertório do “Stonewall Celebration Concert” é de imensa importância. Divulgou compositores até então pouquíssimo conhecidos no Brasil, como Nick Drake e Leonard Cohen. E, acima de tudo, marca um momento importante da vida do cantor, morto em 1996, depois de passar por momentos turbulentos de saúde e de dependência química. “Acho que foi a melhor fase psicológica dele; eu me lembro que era uma fase de muita estabilidade”, lembra Carlos.

O ritmo de Renato era acelerado, mas todo o “atropelo” de referências se encaixava organizadamente nos processos criativos do disco, graças ao seu jeito metódico e organizado que Renato tinha de trabalhar. “A gravação do ‘Stonewall’ foi muito rápida, bem tranquila”, lembra Carlos. “A gente já estava há três meses ensaiando; então estava com tudo certo para chegar e tocar. A gente gravou as 20 músicas em três semanas. Tipo duas por dia, três por dia. O álbum foi feito em três ou quatro semanas, com mixagem e tudo.

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Veronica Raner
Jornalista em formação desde os sete anos (quando criou um "programa de entrevistas" gravado pelo irmão em casa). Graduada pela UFRJ, em 2013, passou quatro anos em O Globo antes de sair para realizar o sonho de trabalhar com música no Reverb. Em constante desconstrução, se interessa especialmente por cultura, política e comportamento. Ama karaokês, filmes ruins, séries bagaceiras, videogame e jogos de tabuleiro. No Hypeness desde 2020.

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