Debate

Vampeta minimiza racismo sofrido por Gerson e chama mulheres de ‘primas’ em fala sobre assédio

Redação Hypeness - 21/12/2020

No confronto de domingo (20) entre Bahia e Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, o volante Gerson denunciou ter sofrido injúrias raciais do atleta colombiano Juan Pablo ‘Índio’ Ramirez. Durante uma briga dentro de campo, o jogador do clube baiano teria dito ‘cala a boca, negro para o meio campista do Flamengo. O caso gerou repercussão dentro e fora do mundo da bola. Entretanto, uma das falas mais chocantes foi a do ex-jogador Vampeta.

Gerson denunciou racismo de jogador do Bahia e Mano Menezes o acusou de ‘malandragem’

Durante um programa de esportes, ‘Mesa Redonda’ da TV Gazeta, Vampeta conseguiu fazer uma das argumentações mais preconceituosas e ignorantes da história da televisão aberta no Brasil, destilando conivência com racismo e fazendo falas machistas a torto e a direito.

O show de horrores de Vampeta

Vampeta começou minimizando o caso, falando que ‘qualquer coisa agora é racismo’. Disse o ex-atleta. “Mas eu não vi para tanta coisa (sobre o Gerson). Eu jogo bola ali na Vila Maria, lá tem de tudo… Coreano, boliviano, chinês… “Ô coreano, toca a bola”, “ô boliviano, toca a bola”, “ô chinês, toca a bola”… E aí? Se todo mundo for para a televisão por essas causas”, disse.

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Vampeta usou palanque na televisão para falar absurdos sobre racismo e denúncias de assédio sexual

Benjamin Back, conhecido por sua postura mais conservadora, criticou Vampeta e se colocou em favor de Gerson. “É diferente. Quando você tem uma liberdade com a pessoa, é lógico que você não vai ligar. É totalmente diferente. Então você falar “po negão” para um cara que é seu amigo, ele sabe que não tem nada. Mas você virar para um cara que você não conhece no meio do jogo e falar “ô seu macaco”… Tá maluco, cara?”.

Vampeta, então, desceu completamente da linha e partiu para duvidar de mulheres que fazem denúncias sobre assédio sexual, utilizando um exemplo da prostituição para tentar fazer algum tipo de conexão entre o que aconteceu com Gerson – mulheres assediadas e trabalhadoras sexuais.

A única mulher no programa, Michele Gianela, concluiu tudo da maneira mais clara possível. “Fica quietinho que você faz melhor.”

Bahia demite treinador e suspende Ramirez

Um dos pontos de discussão foi a postura do treinador Mano Menezes frente ao caso: quando Gerson afirmou que tinha sofrido injúria racial e enfatizou que “não aceitava isso não”, o ex-técnico da seleção brasileira falou que o volante do Flamengo estava de ‘malandragem‘.

O Bahia mandou Mano Menezes embora na mesma noite. A péssima postura do treinador diante do acontecido combinada com os horrorosos resultados em campo fizeram com que a direção do clube o demitisse prontamente.

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Mano Menezes foi demitido do Bahia e Ramirez está sob investigação do clube; jogador foi afastado. Clube fez nota em apoio a vítima e presidente do ECB ligou para Gérson após o incidente

O jogador Juan Pablo ‘Índio’ Ramirez foi suspenso. A nota do Bahia foi clara em como deve se agir em casos de racismo:

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“O atleta Indio Ramírez nega veementemente a acusação e a ele está sendo dada a oportunidade de se defender de algo tão grave. O clube entende, porém, que é indispensável, imprescindível e fundamental que a voz da vítima seja preponderante em casos desta natureza. Assim, decidiu afastar imediatamente o jogador das atividades da equipe até a conclusão da apuração”, diz comunicado emitido pelo clube de Salvador.

Atletas se solidarizam por Gerson

Há uma semana atrás, um caso de racismo durante um jogo entre Istanbul Basaksehir e Paris Saint Germain levantou os olhos do mundo para a questões racial no mundo do futebol. Nessa temporada, Neymar já havia sofrido racismo ao ter sido chamado de ‘macaco’ por um zagueiro espanhol do Olympique de Marseille. Em julho, o atacante Marinho do Santos também havia sido vítima de injúrias raciais.

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Jogadores protestam contra o racismo antes do reinício da partida de Istanbul Bahaksehir e Paris Saint Germain na Champions League

Agora, com o caso de Gerson e toda a repercussão envolvida, diversos jogadores, como Paulão, do Fortaleza, e Cleber, do Ceará, se manifestaram em favor do companheiro de profissão e na luta contra o racismo:

– Não bastasse ser vítima de racismo, Taison é suspenso na Ucrânia

Segundo dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, houve um aumento de 27,2% nos casos de racismo dentro de campo no Brasil entre 2018 e 2019. Ainda não há dados sobre a temporada de 2020, mas a tendência é que os números subam ainda mais: isso porque os jogadores estão perdendo o medo de fazer denúncias. O mundo do futebol não pode se calar perante o racismo.

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Fotos: Foto 1: © Getty Images Foto 2: Reprodução/TV Gazeta Foto 3, 4 e 5: © Getty Images Destaques: Montagem/© Getty Images/Reprodução/TV Gazeta


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