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Você conhece o significado original das cartas do baralho?

por: Vitor Paiva

A história do surgimentos do baralho e dos jogos de cartas é tão antiga quanto da invenção do próprio papel, com alguns dando a autoria de sua criação aos chineses, e outros aos árabes. O fato é que por volta do século XIV as cartas chegaram à Europa, e durante o século XVII já eram mania em todo o ocidente – o carteado veio de Portugal para o Brasil e tomou também nosso país. Para além da cronologia e da historiografia dessa origem, muito se debate sobre o significado das cartas – seus valores, suas divisões, seus naipes, e o motivo por trás de tal estrutura. Uma das mais interessantes leituras sobre sugere que o baralho é, na realidade, um calendário.

As duas cores dos baralhos representariam o dia e a noite, e as 52 cartas do tipo mais comum são precisamente equivalentes às 52 semanas de um ano. Os 12 meses do ano são representados nas 12 cartas com figura (como Rei, Rainha e Valete) que um baralho completo possui – e mais: as 4 estações do ano são representadas nos 4 diferentes naipes e, em cada naipe, as 13 cartas que os compõem representam as 13 semanas que cada estação do ano possui.

O mais antigo baralho que se tem notícia, criado aproximadamente no ano de 1470 © Facebook

Mas a precisão do calendário que o baralho é vai ainda mais além: se somarmos os valores das cartas, de 1 a 13 (com o Ás valendo 1, o valete valendo 11, a Dama, 12, e 13 para o Rei) e multiplicarmos por 4 como são os 4 naipes, o valor é de 364. Os dois coringas ou jokers dariam conta dos anos bissextos – completando assim o sentido do calendário à exatidão.

Segundo consta, os jogos de carta também eram usados como um antigo calendário agrícola, com a “semana do Rei”, seguida pela “Semana da Rainha” e assim por diante – até chegar à semana do Ás, que mudava estação e, com isso, também o naipe.

A origem de tal uso não é clara nem confirmada, mas a matemática precisa do baralho não deixa dúvidas – as cartas foram e ainda podem ser um preciso calendário.

 

 

 

 

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© fotos: Getty Images/créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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