Fotografia

A história por trás de algumas das fotos mais emblemáticas a vencer o Pulitzer

por: Vitor Paiva

Administrado pela Universidade de Columbia e criado a partir da fortuna que Joseph Pulitzer reuniu no mercado editorial e de publicação de jornais, o Prêmio Pulitzer desde 1917 celebra os grandes feitos de cada ano em 20 categorias ligadas ao jornalismo, à literatura e à música. Naturalmente as reportagens premiadas costumam ganhar maior destaque, mas também se trata de um dos mais importantes prêmios fotográficos do mundo – e algumas das mais icônicas fotografias da história deram aos seus autores e autoras a honra de se tornar um vencedor do Pulitzer.

Por sua origem estadunidense o prêmio naturalmente acaba focando mais diretamente nas conquistas realizadas em cada uma dessas áreas por profissionais dos EUA, mas de quando em quando um autor ou autora de outro país também conquista esse máximo louro do jornalismo no país – e o mesmo acontece com a fotografia jornalística. A partir de reportagem do site Bored Panda, reunimos aqui 8 dessas imagens premiadas com o Pulitzer – que tanto ajudaram a contar a história dos EUA, de sua época, do mundo.

“Raising The Flag On Iwo Jima”, de Joe Rosenthal (1945)

"Raising The Flag On Iwo Jima”, foto de Joe Rosenthal (1945)

Cobrindo a Segunda Guerra para a Associated Press, Rosenthal tiraria uma das mais icônicas fotos de todo o conflito durante a Batalha de Iwo Jima, no Japão, ocorrida entre fevereiro e março de 1945. A foto foi tirada no topo do Monte Suribachi com seis marines dos EUA, representando o esforço estadunidense para vencer a guerra no pacífico.

“Tokyo Stabbing”, de Yasushi Nagao (1961)

"Tokyo Stabbing", foto de Yasushi Nagao (1961)

A impressionante foto tirada por Yasushi Nagao em outubro de 1960 dentro do salão do Hibiya Public Hall, em Tóquio, mostra o exato momento em que o estudante ultranacionalista de extrema-direita Otoya Yamaguchi prepara sua pequena espada para esfaquear o presidente do Partido Socialista Japonês, Inejiro Asanuma à morte. O assassino tinha somente 17 anos, e a cena aconteceu diante de um público de mais de 3 mil pessoas em um debate transmitido pela TV – Yamaguchi seria preso e viria a cometer suicídio em seguida. Além de se tornar o primeiro estrangeiro a vencer o Pulitzer, Nagao ganharia também o prêmio World Press Photo of the Year de 1960 pela foto.

“Serious Steps”, de Paul Vathis (1962)

"Serious Steps”, foto de Paul Vathis (1962)

A imagem vencedora de 1962 foi tirada por Paul Vathis em Camp David, uma base militar que também é casa de campo para o presidente dos EUA, e mostra o então presidente John Kennedy caminhando ao lado de Dwight D. Eisenhower, que havia sido presidente até o ano anterior, durante a Crise dos Mísseis envolvendo Cuba e a União Soviética. Segundo consta, a foto foi tirada no instante em que pediram que as fotos cessassem – e como o título sugere, revela a seriedade do momento em que a Guerra Fria mais se aproximou de se tornar um conflito de fato.

“Ruby Shoots Oswald”, de Robert Hill Jackson (1964)

"Ruby Shoots Oswald”, foto de Robert Hill Jackson (1964)

O nome da foto tirada por Jackson e premiada em 1964 é claro e direto, e explica a imagem que mostra o exato instante em que Jack Ruby disparou contra Lee Harvey Oswald, dois dias depois de Oswald assassinar o então presidente dos EUA, John Kennedy. Jackson estava cobrindo o transporte de Oswald para ser julgado, e segundo contou sua visão estava bloqueada para tirar a melhor foto do assassino por um homem à sua frente – que então caminhou, sacou um revólver e matou Oswald, e permitiu que Jackson tirasse uma das mais reproduzidas imagens da história dos EUA.

“Kiss Of Life”, de Rocco Morabito (1968)

"Kiss Of Life", foto de Rocco Morabito (1968)

Corria o ano de 1967 quando o fotógrafo Rocco Morabito percebeu enquanto dirigia que um eletricista que estava trabalhando em um poste de alta tensão havia sido eletrocutado e, salvo por seu equipamento de segurança, encontrava-se pendurado e desacordado. Morabito chamou imediatamente uma ambulância e sacou sua câmera enquanto um outro operário subia o poste para salvar o colega. A vítima se chamava Randall G. Champion, e o eletricista que operou a respiração boca-a-boca se chamava J. D. Thompson, e a operação obteve grande sucesso: Champion foi trazido ao solo com vida e recuperou-se em seguida, para viver mais 35 anos após o incidente – que ainda rendeu o Pulitzer a Morabito pela incrível foto do momento.

“Coretta Scott King”, de Moneta Sleet Jr. (1969)

"Coretta Scott King", foto de Moneta Sleet Jr. (1969)

A tocante e profunda imagem tirada por Sleet Jr. em 9 de abril de 1968 e mostra Coretta Scott King, com sua filha no colo durante o velório de seu marido, Martin Luther King Jr – e parece encarnar não só a dor da viúva que perde seu companheiro, mas também de toda a luta da população negra nos EUA ao perder assassinado uma de suas maiores lideranças em todos os tempos. Espantosamente a imagem faria com que Moneta Sleet Jr. se tornasse o primeiro homem negro a ganhar o Pulitzer, em 1969.

“The Terror of War”, de Nick Ut (1973)

“The Terror of War”, foto de Nick Ut (1973)

Ut também venceria o Pulitzer e o World Press em 1973 com uma das mais incríveis fotografias do século XX – mostrando a pequena Phan Thi Kim Phúc, então com somente 9 anos, correndo na direção da câmera chorando as dores e o horror do napalm, uma bomba química lançada pelo Vietnã do Sul e que queimava sua pele. A bomba havia atingido a cidade de Tràng Bàng por engano, ao invés de tropas norte-vietnamitas. Ao redor outras crianças choram, e o nome da imagem é preciso pelo que revela: o terror da guerra – mas Phúc felizmente viria a sobreviver.

“Firing Squad In Iran”, de Jahangir Razmi (1980)

"Firing Squad In Iran", foto de Jahangir Razmi (1980)

Quando, em 1980, o Pulitzer foi oferecido à imagem que mostra 11 guerrilheiros curdos sendo fuzilados por apoiadores islâmicos do Aiatolá Khomeini, no Irã, o autor da foto não foi revelado ao público – como um meio de proteger o fotógrafo. As autoridades iranianas ainda pressionaram os editores a revelarem a autoria, que se manteve protegida em segredo até 2016, quando enfim foi revelada com autorização do autor. Jahangir Razmi tirou a foto em 27 de agosto de 1979, publicada anonimamente inicialmente no jornal iraniano Ettela’at.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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