Ciência

A incrível história do ginkgo biloba, o fóssil vivo que sobreviveu à bomba atômica

Vitor Paiva - 27/01/2021 | Atualizada em - 05/03/2021

Faz sentido que a ginkgo biloba seja uma planta símbolo de longevidade com consumo recomendado para afiar nossa memória: com mais de 200 milhões de anos de sua origem, a planta de origem chinesa é considerada um fóssil vivo, que existe e segue existindo desde o tempo em que os dinossauros reinavam sobre a Terra. Por ter sobrevivido às bombas atômicas no Japão e brotado do chão de uma Hiroshima devastada, a árvore também se tornou símbolo da paz no oriente.

Folha da ginkgo biloba

Folha da ginkgo biloba © Getty Images

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A dimensão de sua capacidade de resistência pode ser vista pela ausência de “parentes” vivos em sua genealogia: a ginkgo Biloba é a última espécie viva da família Ginkgoaceae, da qual faz parte. Eram plantas da Era Mesozóica, entre 251 e 65 milhões de anos atrás – tão antiga que, no início do período, a superfície do planeta ainda era concentrada no continente único conhecido como Pangeia, antes desse supercontinente se fragmentar. Na Pangeia não é impossível que já houvesse exemplares de parentes da ginkgo biloba florescendo.

árvore de ginkgo biloba

A árvore ainda verde © Wikimedia Commons

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Também conhecida como nogueira-do-japão ou árvore-avenca, a árvore foi identificada e estudada por europeus primeiramente pelo botânico alemão Engelbert Kaempfer em 1690, e durante muito tempo conclui-se que ela estava extinta. No oriente, porém, exemplares de ginkgo biloba seguiam florescendo, e algumas árvores são estimadas em idades que passam dos 1000 anos. Atualmente, apesar de abundante, a árvore é considerada ameaçada, por restarem poucos exemplares realmente na natureza selvagem.

Árvore de ginkgo biloba com as folhas amarelas

Sobrevivente de Hiroshima e Nagasaki

Foi, no entanto, a incrível sobrevivência da árvore após as bombas em Hiroshima e Nagasaki que fizeram o interesse global pela ginkgo biloba ser retomado: enquanto todos os animais e praticamente todas as plantas foram mortas pelo efeito das bombas, a ginkgo biloba não só sobreviveu como ressurgiu saudável em pouco tempo. Curiosamente as seis plantas identificadas como Hibakujumokus – termo japonês para as árvores que sobreviveram ao bombardeio – seguem vivas, algumas com idades se aproximando dos 300 anos desde sua plantação.

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Atualmente esse fóssil vivo se tornou uma das plantas mais comuns e abundantes nos EUA e no oriente, em uma incrível inversão de tendência na relação entre o ser humano e a natureza: não fosse o interesse e a intervenção humana e possivelmente a ginkgo biloba estaria extinta. Trata-se, portanto, de um verdadeiro documento evolutivo vivo – que, dizem, além de oferecer suas belas flores amarelas, traz benefícios importantes para nossa memória, remetendo não somente ao nosso passado mas, quem sabe, à própria infância do planeta.

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© Getty Images

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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