Ciência

Arqueólogos descobrem antiga loja de comida de rua enterrada pela lava em Pompeia

Vitor Paiva - 19/01/2021 | Atualizada em - 05/03/2021

Arqueólogos terminaram recentemente a escavação de uma espécie de lanchonete de 2 mil anos no sítio arqueológico de Pompéia, na Itália. Chamado de “Termopólio”, o local literalmente oferecia o que chamamos hoje de comida “de rua”, e o estado de de alguns artefatos encontrados é de tal forma bem conservado que restos de alimentos milenares ainda foram coletados dentro de jarros e outros recipientes.

A primeira descoberta do local foi anunciada em 2019, mas as novas escavações trouxeram maiores detalhes, assim como uma visão mais ampla e clara de como tais estabelecimentos eram e funcionavam no antigo Império Romano.

O balcão do thermopolium descoberto em Pompéia

O balcão do thermopolium descoberto em Pompéia

Até que Pompéia fosse destruída pela erupção do vulcão Vesúvio, no ano 79 d.C., os chamados Thermopoliuns eram locais populares na região – que ofereciam comidas quentes e rápidas, acompanhadas de bebidas para serem consumidas prontamente, como literalmente sugerem hoje as redes de fast-food. E pelo que sugerem as escavações, tais hábitos pouco mudaram nesses 2 mil anos: os locais eram de tal forma populares, que mais de 80 lanchonetes do tipo já foram encontradas por arqueólogos.

Detalhe de afresco mostrando uma ninfa e cavalos-marinhos no thermopolium descoberto em Pompéia

Detalhe de afresco mostrando uma ninfa e cavalos-marinhos

As escavações mais recentes, porém, revelaram o Thermopolium mais bem conservado já encontrado até hoje: os balcões, pratos, jarros de bebida e buracos onde os alimentos eram depositados (e onde restos petrificados foram identificados) foram encontrados em excelente estado, assim como uma cisterna, um chafariz e uma torre piezométrica, para que a água fosse distribuída. Além disso, pinturas perfeitas, mostrando gladiadores, animais e deuses, e até mesmo uma espécie de grafite foi identificado (no qual se lê “Nicia cineadecacator” que, em tradução livre, significa algo como “Nicia, cagão sem-vergonha”, segundo especialistas).

Arqueóloga recolhendo restos de alimentos petrificados em lanchonete descoberta em Pompéia

Arqueóloga recolhendo restos de alimentos petrificados

As ossadas de ao menos duas pessoas, assim como de um cachorro, também foram descobertas a partir das mais recentes escavações. Segundo Massimo Osanna, gerente do Parque Arqueológico de Pompéia, as descobertas serão muito importantes para que possamos detalhar mais e melhor os hábitos, o dia a dia e mesmo a alimentação dos habitantes do Império Romano à época.  “Os materiais encontrados foram, de fato, escavados e estudados sob todos os aspectos por uma equipe interdisciplinar composta por antropólogos físicos, arqueólogos, arqueobotânicos, arquezoólogos, geólogos e vulcanólogos”, afirmou Osanna.

Visão geral do thermopolium descoberto em Pompéia

Visão geral do local descoberto

O mais novo termopólio fica localizado no Regio V, região do sítio arqueológico de Pompéia onde diversas escavações recentes vêm revelando novas ruínas. Até o ano passado, porém, somente uma porta de madeira e parte da varanda do primeiro andar da estrutura estavam visíveis, assim como a fonte de mármore. “Os materiais serão posteriormente analisados ​​em laboratório. Em particular, os restos encontrados nas dolias (vasilhas de terracota) do balcão, apontarão dados essenciais para descobrir o que se vendia e qual era a dieta”, concluiu Osanna.

Detalhe de afresco mostrando pássaros e uma galinha em lanchonete encontrada em Pompéia

Detalhe de afresco no local

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© fotos: Parque Arqueológico de Pompéia/AP/Divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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