Ciência

Cientistas podem ter detectado o ‘zumbido do universo’, capaz de mudar a astronomia para sempre

Vitor Paiva - 27/01/2021 | Atualizada em - 04/03/2021

Um grupo de cientistas do Observatório Nanohertz para Ondas Gravitacionais da América do Norte (NANOGrav) publicou um relatório de dados levantados nos últimos 12 anos e meio em busca da confirmação da existência de um ruído de fundo de ondas gravitacionais do universo. Espécie de zumbido ou ruído branco do universo, a descoberta pode alterar tudo que sabemos a respeito da astronomia e nossa compreensão sobre o funcionamento do universo, tornando-se uma das mais importantes descobertas da história recente, caso seja confirmada.

Ilustração do fundo das ondas gravitacionais

Ilustração do fundo das ondas gravitacionais © reprodução

A pesquisa contou com colaboradores diversos de todo o planeta, e encontrou um sinal na monitoração de 45 pulsares – estrelas de altíssima densidade que geram em velocidade estonteante, gerando luzes, radiação e até mesmo som continuamente. Esse estudo recente revelou uma interrupção de alguns nanosegundos no movimento contínuo das 45 estrelas estudadas – em um efeito exatamente idêntico ao que uma onda gravitacional de baixa frequência viajando pelo universo provocaria.

A força de tais ondas viria dos maiores cataclismos ocorridos no universo, como a colisão de dois buracos negros supermassivos, com massas muitas vezes bilhões de vezes maiores do que o sol. “Essas incríveis primeiras dicas de fundo de ondas gravitacionais sugerem que buracos negros supermassivos realmente se fundem, e que estamos balançando em um mar de ondas gravitacionais sacudindo entre buracos negros supermassivos se fundindo em galáxias pelo universo”, disse Julie Comerford, professora associada de astrofísica e ciências planetárias, e membra da equipe da NANOGrav.

O telescópio Green Bank, nos EUA, utilizado para o estudo

O fundo de onda gravitacional seria gerado por milhões de cataclismos saturando o universo com ondulações no espaço-tempo. Segundo o astrônomo Scott Ransom, coautor do artigo recém publicado, elas seriam como ondas no oceano do espaço-tempo, intereferindo umas nas outras e até mesmo sobre planetas, galáxias e até a Terra. “O que podemos inferir disso é se você pode ver o oceano calmo ou agitado”, afirmou “Podemos obter muitas informações sobre a história completa do universo e como as galáxias se fundem e interagem apenas vendo este sinal de fundo.”

A hipótese ainda precisa de muito estudo e novas observações para ser confirmada, em processo que poderá levar anos de pesquisa. Caso seja confirmada, porém, a descoberta pode abrir campos de estudos inteiramente novos.

imagem da via láctea

© Getty Images

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.